POV: ORION
Minhas mãos estavam fechadas em punhos, os nós dos dedos pulsando de tanta força. A pele rachada sangrava, e mesmo assim continuei. Socava a árvore como se ela pudesse me devolver alguma resposta. Como se quebrá-la ao meio fosse fazer o medo sumir. O medo de perder meu pai. O medo de perder meu irmão.
Um estalo surdo ecoou quando meus dedos acertaram mais uma vez o tronco. Doeu. Mas não tanto quanto ver a expressão do meu irmão antes de cair, sendo jogado como um trapo no chão sobre a poça de sangue, sem responder aos meus gritos.
— Acorda logo, idiota... — murmurei entre os dentes, arfando, com o peito subindo e descendo sem controle. — Você sempre se levanta, sempre ri... então por que agora tá quieto?
“Sua mão está sangrando.”
Congelei.
Meu corpo inteiro parou. A árvore, o mato, o vento... tudo sumiu por um segundo. Meus olhos se arregalaram, e virei para trás, rápido.
— Quem disse isso?! — rosnei, erguendo o queixo, tentando farejar alguma presença. O ar estava limpo. Nenhum cheiro diferente. Nenhum passo. Nenhum movimento.
Engoli seco, o coração batendo forte, quase saindo pela garganta.
— Estou ficando maluco...
“Socar essa árvore não vai ajudar o seu irmão ou sua mãe.”
A voz voltou. Grave. Baixa. Afiada. Como se viesse de dentro de mim, mas não fosse minha. Meus ombros estremeceram. Minhas pernas fraquejaram por um segundo. Era como se o som entrasse direto na minha cabeça, ecoando nos ossos.
— O que é isso? — murmurei, sentindo um calafrio percorrer a espinha. Meu corpo arrepiou inteiro. — Quem tá aí?!
“O sangue que precisamos derramar não é o nosso, pequeno futuro Alfa. Você é inteligente... Use isso ao seu favor.”
— Mas que merda, quem é você?! — gritei com a garganta arranhando, cravei as garras contra o cascalho da árvore com força, arrancando lascas como se aquilo fosse me dar respostas. Meus dedos giravam desgovernados, afundando sem direção, só... raiva.
O peito doía. A cabeça doía. Tudo estava fora de controle.
— Apareça, covarde! — berrei, arfando alto, a voz embargada. Senti meu corpo inteiro tremer. Não era só fúria. Era medo também.
“Covarde?”
A resposta veio como um rugido. Não no ar. Dentro da minha mente. Tão alto, tão poderoso, que me jogou de joelhos no chão.
— Agh! — levei as mãos à cabeça, grunhindo com os dentes cerrados. Atrás dos meus olhos, uma dor forte queimava como se fosse explodir. Senti os ombros enrijecerem, o estômago revirar.
“Tenha mais respeito por quem salvou a sua pele, filhote.”
— Você... Você é... a-aí... — minha voz saiu falhada, tremendo. Eu arfava alto, mal conseguindo respirar, com os joelhos fincados na neve fria e as mãos apertadas contra o chão gelado.
Meus dedos estavam dormentes, mas eu nem ligava. O frio nem chegava perto do que eu sentia por dentro.
— Você é meu lobo? — perguntei, com o que restava da minha coragem.
“Quem você acha que matou o seu inimigo quando lhe faltou forças?”
A resposta explodiu dentro da minha cabeça com um rosnado grave e irritado. Senti algo se mover dentro de mim. Grande. Pesado. Selvagem. Feroz.

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