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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 429

POV: RAIKER

Meu orgulho foi embora. Engolido pela dor, pela humilhação de estar aos pés de quem eu mais invejei.

— Sou sua única família... — solucei, arfando, sentindo o sangue escorrer pelas laterais da boca.

— Hunf... Raiker... — a voz dele veio carregada de algo sombrio. Não havia hesitação. Nem humanidade. Só uma fúria crua, impiedosa, predatória. — Você não passa de um inseto.

Antes que eu pudesse reagir, ele me ergueu como se eu fosse peso morto.

Senti suas garras penetrarem minha lateral, rasgando pele e músculo com precisão cruel. O som da carne se abrindo foi sufocante.

— AAAAAH! — Um grito escapou por minha garganta, involuntário, visceral.

Meu corpo se contorceu no ar. Os olhos lacrimejaram de pura dor. As pernas tremiam descoordenadas, como se não pertencessem mais a mim.

"Faz alguma coisa, Raiker, você nos colocou nessa situação!" gritou meu lobo dentro da minha mente, mas sua voz soou mais como um lamento fraco do que uma ordem. "Vamos morrer! Ele vai nos partir ao meio!"

O sangue quente escorria pelas minhas costelas, colando-se ao pelo. A dor latejava em espasmos violentos, como se cada batimento cardíaco trouxesse mais tortura.

— Minha... alcateia... — ele murmurou, rouco, os olhos mergulhando de novo no abismo do breu. As pupilas dilataram até consumirem toda a íris. — Meus filhotes...

Foi tudo o que disse antes de cravar as garras fundo no meu abdômen.

O som da carne sendo rasgada ecoou alto, cortante, seguido de um estalo molhado quando ele puxou algo de dentro de mim. Um grito abafado rasgou minha garganta.

O frio entrou de uma vez, como se o mundo tivesse congelado por dentro. Minhas pernas cederam. Meus braços tremiam, inúteis. A dor era tão intensa que mal conseguia processar.

— Minha... Luna... — ele rosnou com os olhos fixos em algo além, completamente perdido. — ... São a minha família!

Meu corpo foi lançado na neve como um trapo. O impacto me fez estremecer.

Fiquei ali, imóvel, arfando. O peito subia com esforço, cada inspiração era como engolir vidro. Não havia ar suficiente.

Minha visão escurecia nos cantos. Só o som da neve sendo pisada por ele se afastando me mantinha consciente. O monstro... meu irmão... estava indo embora. E eu? Eu estava morrendo.

— Aonde...? — gaguejei, a voz falhando entre o sangue que escorria pela garganta. — Onde vai...? — Meus olhos tentavam segui-lo, mas a visão falhava, turva, tremida, como se o mundo estivesse se desfazendo. — Daimon...?

Meus dedos se arrastaram pela neve, trêmulos, sem força. O frio queimava. O corpo não respondia mais.

— Não me deixa sozinho... — sussurrei, me engasgando, o gosto metálico sufocante me fazendo tossir. — Eu não... não quero morrer aqui!

Ele parou.

Seu corpo inteiro tremeu violentamente.

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