POV: AIRYS
Ergui a mão, hesitante, sentindo o peso da decisão. Ele permaneceu parado, as narinas dilatadas, o olhar fixo em mim. Toquei seu focinho com firmeza, deslizando a mão lentamente pelos grossos e eriçados, sentindo o calor da respiração quente contra minha pele.
"Se renda, caçador… ou eu mesma vou te arrancar dessa escuridão." a voz de Rielly vibrou dentro de mim, predatória e poderosa.
— Não se perca, meu lobo ousado… você tem um lar para voltar. — sussurrei firme, mantendo a mão sobre o focinho dele. Senti seu corpo estremecer, os músculos rígidos como se estivessem prestes a se partir pelo esforço de se conter. As narinas inflavam e um som rouco escapou de sua garganta, como um grunhido misturado a um choro sufocado.
— Não… posso. — rosnou com a voz carregada de dor, recuando um passo antes de girar o corpo. Em um impulso, disparou pela floresta, deixando marcas profundas no chão com o peso das patas. — Esqueça de nós… não há salvação… Seja livre, Luna!
— Daimon? — chamei, reconhecendo, com o coração batendo forte no peito. — Não vá!
Ameacei me transformar e correr atrás dele, mas minhas pernas cederam no mesmo instante. Um tremor percorreu meu corpo, forçando-me a apoiar as mãos no chão para não tombar. O ar queimava em meus pulmões, e a dor latejava por cada músculo.
Rielly tentou emergir, mas recuou, como se algo a puxasse de volta.
“Estamos muito feridas.” rosnou, sua voz grave ecoando dentro de mim, carregada de frustração, enquanto andava em círculos na minha mente como uma fera enjaulada. “Droga… não somos capazes de salvá-los assim… Lobo teimoso!”
O som do seu rosnado reverberava no meu peito, provocando mais raiva do que medo. Meu coração martelava, não por falta de coragem, mas pela sensação sufocante de impotência.
Alec, com as mãozinhas pequenas, tocou meu braço.
— Mamãe…
Alec segurava meu braço com força, os olhos marejados.
— Mamãe, ele vai voltar… não vai?
Engoli seco, tentando manter a voz firme para ela, mesmo que meu peito doesse como se tivesse sido rasgado.
— Ele tem que voltar… — sussurrei, mais para mim do que para ela. — E nós vamos atrás dele.
Dei um passo à frente, e as pernas protestaram, tremendo sob o peso da dor e do cansaço. Senti o gosto metálico do sangue na boca, cada respiração parecia arrancar pedaços dos meus pulmões, mas continuei.
“Se cair agora, você perde tudo.” Rielly avançou dentro de mim, feroz, a cauda imaginária erguida, as garras raspando contra minha mente. “Se mantenha de pé, Luna. Não é hora de se quebrar.”
Apertei os dentes, endireitando a postura.
— Alec, atrás de mim. — ordenei, sem tirar os olhos da direção em que Daimon e Fenrir haviam desaparecido.
O vento trouxe o cheiro deles. Forte. Misturado com sangue e… dor. Meu coração acelerou, um nó se formando na garganta.
— Eles estão sofrendo… — murmurei, sentindo meu corpo estremecer. — E se perderem o controle de vez…

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