POV: AIRYS
Alec sorriu largo, um daqueles sorrisos que iluminam o rosto inteiro, e assentiu com a cabeça, fazendo seus cabelos caírem sobre a testa. Levei a mão ao seu rosto delicado, secando a lágrima solitária que escorria por sua bochecha macia.
— Theron está morrendo de saudades de você. — murmurei com um sorriso cansado, mas sincero. — Ele vai ficar feliz em ter a nossa pequena de volta.
Ela desviou o olhar, hesitante, e parou de andar. Seus ombros se curvaram levemente, como se carregasse um peso que não deveria existir em alguém tão jovem.
— Você está brava comigo… por eu ter partido? — perguntou com a voz baixa, quase um sussurro. — Você se machucou por minha causa… eu… eu deveria ter lutado com a Deusa.
Suspirei fundo, arqueando uma sobrancelha, e me ajoelhei para ficar à sua altura. Segurei seus ombros com firmeza, sentindo o calor frágil de seu corpo. O coração dela estava acelerado, dava para sentir através do toque e o meu também batia forte, não de raiva, mas de medo de perdê-la de novo.
"A pequena tem coragem, mas não tem ideia do que realmente enfrentamos." Rielly falou dentro de mim, a voz grave e predatória ecoando com aprovação e alerta. "Ainda é cedo para ela carregar sangue nas patas."
— Alec… — falei, mantendo meu olhar firme no dela. — Você é minha filha. Nunca vou ficar brava por você querer proteger alguém…, mas lutar contra uma Deusa não é sua batalha. Essa é minha.
Apertei levemente seus ombros, sentindo a tensão diminuir um pouco.
— E eu lutaria de novo… quantas vezes fosse preciso… só para ter você de volta. — falei com a voz embargada, mas firme. Levei minha mão até seu rosto pequeno, sentindo a maciez da pele e o leve tremor que ela tentava disfarçar. Sorri de leve, um sorriso que era mais amor do que força. — Eu entendo a sua escolha, Alec. Você só queria proteger o seu irmão.
Os olhos dela brilharam com aquela mistura de alívio e culpa, e vi seu lábio inferior tremer. Puxei-a para mais perto, sentindo o calor frágil do seu corpo contra o meu, o coração dela acelerado, batendo rápido demais para uma criança.
— Sou grata pelo elo que vocês três têm… — continuei passando o polegar para secar uma lágrima que escorria. — Me orgulham por esse amor e coragem. Vocês são minha força… e meu motivo para nunca cair.
"Coragem de filhote…, mas sangue de caçadora." Rielly murmurou dentro de mim, o tom baixo, predatório, carregado de respeito. "Proteja-a… e ela será mais forte que qualquer Deusa."
Alec soltou uma risada curta e inocente, mas o som morreu rápido quando seu olhar se fixou, sério, em um ponto entre as árvores. Vi seu corpo pequeno ficar rígido, os dedos apertando minha mão. Segui seu olhar, senti o cheiro antes mesmo de ver. Meu instinto rugiu alto.
Rosnei, deixando as presas expostas, puxando Alec para trás de mim com força e mantendo meu corpo como escudo.
As sombras se moveram e, de dentro delas, surgiu um enorme lobo negro. Ele avançou lentamente, como um predador que já sabe que a presa não tem para onde fugir. A saliva escorria pelas presas alongadas, pingando no chão com um som úmido.
As garras arranhavam a terra, levantando pequenos sulcos, e cada passo fazia os pelos da minha nuca se eriçarem. O pelo dele estava totalmente eriçado, os olhos fixos em mim, e o rosnado grave vibrava no ar, quase doloroso de tão denso.
— Mamãe? — Alec chamou, a voz fraca, trêmula. Senti o cheiro do medo dela. — Este é… este é…
— Fenrir! — exclamei, surpresa, meu corpo instintivamente cedendo alguns passos para trás ao sentir a hostilidade pulsando dele como ondas cortantes. O ar pareceu ficar mais pesado, impregnado do cheiro forte e metálico de sangue.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO