POV: AIRYS
— Qual o preço? — perguntei sem hesitar, mantendo o olhar fixo nelas. — O que mais a sua magia pretende tirar de mim?
A irmã de olhos celestiais inclinou levemente a cabeça, estudando cada detalhe do meu rosto antes de responder.
— Infelizmente, Luna, isso não é algo que possamos escolher… — sua voz soou calma, mas carregada de um peso que não me agradou. — É o preço da equivalência. Para que algo seja dado… algo de igual valor precisa ser tirado.
Um arrepio percorreu minha espinha, mas permaneci firme.
“Eles sempre omitem a parte mais importante…” Rielly rosnou em minha mente, desconfiada.
— Ou acha que nasci cega? — provocou a outra irmã, com um sorriso fraco, mas firme. — Para receber o dom da previsão, precisei entregar a visão que tinha.
— E eu — completou a segunda, a voz carregada de um peso frio — precisei abrir mão de parte dos meus próprios órgãos para conjurar magias antigas e alcançar o título de Celestial.
Ela se aproximou um passo, e o ar ao redor pareceu se tornar mais denso.
— Estamos acostumadas a pagar preços altíssimos pelo que desejamos, Luna… — seus olhos celestiais me prenderam, como se buscassem medir até onde eu iria. — Está disposta a fazer o mesmo?
“Isso não cheira bem…” Rielly rosnou na minha mente, inquieta.
Meu maxilar se contraiu.
— Isso é insano. — Jasper exclamou, os olhos arregalados, a incredulidade estampada no rosto. — Achei que vocês já nasciam com esse dom!
— De certa forma, sim… — a irmã cega respondeu, a voz baixa mas carregada de certeza. — Mas para despertá-lo por completo, é preciso abrir mão… ou trocar outras coisas.
Ela se voltou para mim, e o ar entre nós pareceu pesar.
— Infelizmente, para este ritual… o seu útero não poderá ser aceito, Luna Suprema.
— Por que não? — questionei, a voz carregada de nervosismo. Um rosnado escapou enquanto esfregava as mãos, tentando conter a tensão que me consumia. — É um preço alto demais para uma mãe.
— Compreendemos. — respondeu a irmã Celeste, o tom sereno e firme. — Mas agora não será um ritual de troca. Desde que você acabou com a Deusa Lua, não há necessidade de entregar uma vida a ela.
Meu corpo enrijeceu, cada músculo pronto para reagir.
— Neste caso — continuou — faremos uma magia de libertação. Vamos expulsar a maldição do corpo do Supremo.
— Minha loba… — murmurei, cerrando os punhos, sentindo a tensão crescer. — Não sente mais o elo com Fenrir. Se os libertarmos da maldição, é possível trazer os dois de volta?
“Você quer a verdade ou algo que te acalme?” Rielly perguntou com o tom grave e direto.
— A verdade — respondi, sem desviar o olhar.
As duas irmãs Celestes se entreolharam por longos segundos. O silêncio no salão parecia pesar sobre todos nós.

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