POV: JASPER
Meses haviam se passado desde o caos da guerra. Quando encontrei Savanna, agradeci à Deusa com todas as forças: ela não estava gravemente ferida. Apenas alguns arranhões, nada que a marcasse além do necessário. Tinha conseguido drogar Raiker o suficiente para escapar, e isso me salvou de enlouquecer.
Agora, parado diante do altar, eu olhava para o relógio pela milésima vez. A cada segundo que passava, o nervosismo me corroía.
— Onde ela está? — rosnei, andando de um lado para o outro, com o estômago embrulhado. — Ela deve ter fugido… claro, ótimo. Afugentei minha segunda chance. Sou um idiota completo.
"Com este seu nervosismos se eu pudesse, também fugiria." meu lobo riu, debochado, e eu quase o xinguei em voz alta.
Meus ombros estavam tensos, o coração batia tão forte que parecia que iria rasgar meu peito. Eu não queria parecer vulnerável, mas estava. Por dentro, havia medo, desespero e a sensação de que o mundo poderia ruir se ela não aparecesse.
— Jasper, se acalme. — Airys riu, balançando a cabeça, a barriga enorme destacada no vestido de madrinha. Com uma mão, ergueu um copinho. — Uma dose de tequila para o noivo mais ansioso e apavorado que já conheci.
— Deveria ter trazido a garrafa inteira! — falei entre dentes, as presas à mostra, sentindo minhas mãos suadas. Peguei o copo e virei de uma vez, o líquido queimando minha garganta até o estômago. — Já era para ela estar aqui… e se ela percebeu que não quer isso?
"Querido, se ela fosse fugir, já teria feito. Mas cá entre nós, você tem mesmo cara de abandonado no altar." meu lobo soltou, rindo alto dentro da minha cabeça.
— Cala a boca. — murmurei, puxando o colarinho da camisa e soltando o ar em um suspiro pesado. Meu coração estava descompassado, parecia que ia arrebentar dentro do peito. Cada segundo era uma tortura.
Airys arqueou a sobrancelha, divertida.
— Você está branco, Jasper. — provocou. — Quem diria que o sedutor invencível ficaria tremendo desse jeito?
— Não estou tremendo! — retruquei, mas minhas mãos denunciavam o contrário. Estavam frias e úmidas, quase escorregando quando tentei ajeitar a barra do paletó. — Merda… estou mesmo.
— Savanna seria maluca se te deixasse. — Airys apertou meu ombro com firmeza, me obrigando a parar de andar em círculos e encarar seus olhos. — Eu mesma a caçaria com minhas próprias garras se ela ousasse.
Engoli em seco, arfando, tentando manter a calma, mas minhas mãos ainda tremiam.
— Ela te ama, seu idiota. — Airys continuou, o tom firme, mas carregado de carinho. — Então pare de surtar. Hoje é o dia das noivas ficarem histéricas, não dos noivos.
— Fácil falar… — suspirei, arqueando as sobrancelhas, os músculos da mandíbula tensos. — E se ela não vier?
"Você parece um filhote abandonado na chuva. Que cena patética, Jasper." meu lobo debochou, rindo dentro da minha mente.
Airys estreitou os olhos e, com um meio sorriso malicioso, completou:
— Você precisa se controlar, ou juro que meto a mão na sua fuça até se acalmar. Entendeu?
— Falando com jeitinho, quem não se acalmaria diante de tal ameaça? — ri, passando as mãos pelos cabelos ainda suados, tentando disfarçar o nervosismo. Então notei Airys gemer e fazer uma careta, segurando a barriga. O sorriso sumiu do meu rosto, o coração acelerou. — Você está bem? Está com dores? Não é melhor se sentar? — engoli em seco, arqueando as sobrancelhas. — Sei que é indelicado dizer..., mas você está enorme.

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