As palavras de Helena atingiram a sala como um peso inesperado. O silêncio que veio em seguida só não foi completo porque Amanda, com o olhar carregado de segundas intenções, deixou escapar um desvio rápido para o ventre de Luana.
Seis anos de casamento. Tempo suficiente para que qualquer família já tivesse crescido, mas o corpo de Luana continuava sem dar nenhum sinal. A dúvida maldosa se formou na mente da sogra. E se a nora simplesmente não pudesse ter filhos?
A antipatia que Amanda já sentia por ela cresceu de imediato. A ideia de sugerir um divórcio ao filho atravessou sua cabeça como um sopro incômodo, impossível de ignorar.
Luana sentiu o rosto aquecer de vergonha. A culpa seria dela? Será que, no fundo, não queria ser mãe? Não. A resposta ela sabia bem. O problema não estava em sua vontade, mas em alguém que jamais desejou que ela trouxesse mais uma criança para aquela família.
— Eu... — Luana começou a falar, numa tentativa de se justificar.
Ricardo não lhe deu tempo. Sua mão firme se fechou sobre a dela, interrompendo qualquer explicação.
— Nós simplesmente ainda não queremos filhos. — Ele disse em tom seco, encerrando o assunto com uma autoridade que não admitia réplica.
O gesto deveria trazer alívio, mas, em vez disso, fez o peito de Luana se apertar. A lembrança veio de imediato. Ricardo já tinha um filho, um filho que não era dela. Forçou um sorriso frágil e completou com a voz suave:
— É isso mesmo, tia Helena. Ainda somos jovens, não temos pressa.
— Jovens? — Amanda bufou, cruzando os braços. — Mulheres da minha idade já têm netos no colo. E eu continuo aqui, sem nenhum.
Sofia soltou uma risada baixa, tranquila, com aquele jeito sereno de quem não se deixava arrastar por provocações.
— Os jovens não precisam se apressar, Amanda. Eu mesma, com a idade que tenho, não penso em correr para ver bisnetos. Para que tanta ansiedade?
Amanda ficou sem resposta, mordendo o lábio com irritação. Logo desviou o alvo e lançou a cobrança contra Henrique.
— E quanto à Anabela? Já está na idade de casar. Vocês não pretendem providenciar um bom casamento para ela?
Helena foi rápida em responder, firme, mas com um tom calculado:
— É claro. Aproveitando que Alexandre voltou e que a mãe também está aqui, pensamos em conversar hoje mesmo sobre o futuro dela.
Sofia arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Oh? Henrique, você e Helena já têm em mente algum candidato a genro?
Henrique se serviu de mais vinho, girou a taça com calma antes de responder:
— Para ser sincero, não foi escolha nossa. Anabela demonstrou interesse por conta própria. O rapaz é da família Souza.
Família Souza?
O nome soou na mente de Luana como um sino que reverberava. Ela conhecia bem. Com as famílias Ferraz, Pinto e Frota, formavam o quarteto de famílias mais poderosas de Monteluz. Enquanto as famílias Ferraz e Pinto mantinham força política no norte, as famílias Frota e Souza dividiam o sul com fortunas impressionantes.
Sofia não insistiu. O assunto logo se dispersou, e a conversa à mesa tomou outro rumo.
Durante todo o jantar, Luana permaneceu em silêncio. Levava distraidamente a comida à boca, mas não tinha apetite. De vez em quando, seu olhar fugia para Ricardo e Alexandre, como se buscasse entender a relação entre pai e filho.
Ao final da refeição, Alexandre sugeriu que todos passassem a noite na mansão antiga.
...
No quarto reservado ao casal, Luana sentiu o peso da situação. Ali, não havia como manter distância de Ricardo. O desejo de divórcio era um segredo que apenas Sofia conhecia.
Ricardo entrou primeiro no banho. O som da água ecoava pelo banheiro, preenchendo o silêncio do quarto, enquanto Luana, sentada na beira da cama, se deixava afundar em pensamentos cada vez mais pesados. A verdade é que ela queria dividir a cama com ele.
Levantou-se e pediu a uma das empregadas que preparasse um espaço improvisado no chão.
Quando Ricardo voltou, vestia apenas um robe de seda azul-escuro. O cabelo ainda molhado deixava escorrer gotas que deslizaram pela pele bronzeada, descendo pelos músculos firmes do peito e dos ombros.
O olhar dele pousou sobre a esposa, que ajeitava o lençol no colchão improvisado. Os olhos se estreitaram, carregados de tensão.
— O que você pensa que está fazendo? — Ele perguntou, em voz baixa, mas cortante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...