Luana estendeu o lençol no chão como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo, mas a voz a traiu ao tentar inventar uma desculpa qualquer:
— Estou naqueles dias. Não durmo bem, prefiro não te incomodar.
Ricardo levantou os olhos, soltou um breve som de assentimento e, num tom indiferente, perguntou:
— Não vai tomar banho?
— Vou, sim, agora. — Ela forçou um sorriso rápido.
Pegou a camisola já separada e entrou no banheiro, levando consigo a estranheza de uma intimidade que nunca soube administrar. Seis anos de casamento não haviam sido suficientes para que se sentisse à vontade em trocar de roupa diante dele. Dividir o mesmo espaço ainda lhe parecia sufocante, como se fossem dois estranhos vivendo sob o mesmo teto.
Demorou-se de propósito no chuveiro, certa de que, quando saísse, ele já estaria adormecido. Mas, ao abrir a porta, encontrou Ricardo recostado na cabeceira, tragando um cigarro com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Envolta na camisola, atravessou o quarto em silêncio e se deitou no colchão improvisado. Mal ajeitou a cabeça no travesseiro, ouviu o som do cigarro sendo esmagado no cinzeiro, seguido pela voz firme dele:
— Sobe. Dorme na cama.
Os dedos de Luana se apertaram contra o tecido fino da roupa. Tentou sustentar a recusa:
— Não precisa, aqui está bom.
Ele não lhe deu tempo de continuar. Levantou-se num gesto decidido, inclinou-se e a ergueu nos braços com facilidade, como se o peso dela fosse nada.
— Ricardo! Eu já disse que não estou bem... — Ela protestou, com o coração disparado.
Ele a colocou sobre o colchão macio da cama, sem se afastar de imediato. Os olhos escuros se demoraram no rosto dela, examinando o medo estampado em cada traço. A voz saiu baixa, carregada de ironia e uma ponta de frustração:
— Você acha mesmo que vou fazer alguma coisa com você?
Luana mordeu os lábios, incapaz de encontrar resposta.
Ricardo suspirou, virou-se de costas e completou em tom seco:
— Só não quero que amanhã as empregadas encontrem você no chão e corram para contar à minha avó que estamos dormindo separados.
Ela permaneceu calada, sem saber se aquilo era apenas uma desculpa ou uma preocupação verdadeira com as aparências. Ainda tinha fresca na memória a cena da loja, a ousadia dele que contradizia cada palavra daquela justificativa.
Mesmo assim, Ricardo não voltou a tocá-la naquela noite.
Na manhã seguinte, desceram juntos para o café. A mesa ampla parecia ainda maior, com apenas os dois ocupando lugares opostos. Sofia já havia se recolhido ao oratório, Amanda saíra cedo, e o silêncio dominava o ambiente.
Linda, a governanta, aproximou-se de Ricardo com discrição.
— Senhor, seu pai pediu que, assim que terminar, vá ao escritório.
Ricardo assentiu com frieza.
— Está bem.
Em seguida, virou-se para Luana, que comia quieta, concentrada no prato.



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