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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 104

O estrondo do corpo atingindo a água cortou o silêncio do jardim, frio e abrupto. Em segundos, Luana e Vanessa estavam submersas, debatendo-se no lago artificial, presas ao próprio pânico.

Anabela levou alguns instantes para compreender a cena diante dos olhos. O choque logo deu lugar ao desespero, e um grito agudo escapou de sua garganta:

— Socorro! Alguém caiu na água!

O chamado ecoou pela mansão, trazendo criados e familiares apressados. Uma figura surgiu de imediato, arrancando o paletó em pleno movimento antes de mergulhar.

Na água, Luana lutava contra o desespero. Engolia goles inteiros, o ardor queimava sua garganta, e a câimbra repentina que travou sua perna a deixou indefesa. Não sabia nadar. Entre flashes turvos, conseguiu ver Ricardo entrando no lago. Um alívio breve atravessou seu peito, quase se transformando em súplica, mas outra onda a engoliu antes que pudesse chamá-lo.

E então a verdade cruel se impôs diante dela, cortante e impossível de negar. Por entre a ardência da água que queimava seus pulmões, Luana conseguiu ver Ricardo voltar o rosto em sua direção. Por um instante, acreditou que ele avançaria para socorrê-la, e seu coração chegou a dar um salto de esperança. No entanto, o olhar dele se desviou como se não a visse, e o corpo cortou a água numa rota precisa, afastando-se dela. Cada braçada o levava não em sua direção, mas em busca de Vanessa, como se a escolha já estivesse feita desde o início.

O pavor deu lugar a um vazio ainda mais cortante. A sensação de abandono a corroeu por dentro. Primeiro os pais, que a rejeitaram no nascimento. Agora, no momento mais frágil de sua vida, era descartada outra vez.

Quando o corpo já cedia ao peso da água, uma mão firme agarrou a sua e a puxou de volta à superfície. O ar invadiu os pulmões em acessos de tosse. Arrastada até a margem, caiu de lado, arfando, a visão ainda embaçada. Aos poucos, conseguiu distinguir o contorno de Vanessa, aninhada nos braços de Ricardo, pálida e trêmula como uma vítima indefesa.

Vanessa a encarava com olhos marejados, a voz suave escorrendo em falsa inocência:

— Doutora Luana, por que a senhora me empurrou?

O semblante de Ricardo se fechou ainda mais. Os olhos escuros, carregados de sombra, pousaram sobre ela como lâminas.

— Foi você quem empurrou ela?

A dureza do tom rasgou Luana por dentro. Ainda sem fôlego para falar, ouviu a voz de Anabela, ansiosa por condená-la:

— Claro que foi ela! Ficou furiosa porque eu trouxe a Vanessa de volta e a empurrou no lago para se vingar!

Molhada, trêmula e com o coração em pedaços, Luana deixou escapar um riso amargo.

— Eu não sei nadar. Que sentido faria arriscar a minha vida para empurrar alguém?

Vanessa levou a mão aos lábios, encenando fragilidade.

— Então está dizendo que eu mesma me joguei só para incriminá-la?

— Não é exatamente isso? — Retrucou Luana, firme, apesar da exaustão.

— Basta! — Ricardo a interrompeu, a voz baixa, mas carregada de ameaça. — Pare de inventar desculpas. Se pedir desculpas agora, encerro o assunto.

O peito de Luana se apertou, dolorido, como se algo a esmagasse por dentro.

— Eu já disse que não empurrei ela!

Capítulo 104 1

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