Sofia não se deixou abalar pelas lágrimas de Vanessa. Observou-a com frieza e, em vez de compaixão, deixou escapar uma risada seca, cheia de ironia.
— Se não foi culpa sua, de quem seria então? Já se passaram seis anos, e você continua com a mesma cara de pau de sempre.
As palavras atravessaram o ar como uma lâmina. Vanessa ficou estática, o rosto empalidecendo, e por alguns segundos a máscara de vítima se desfez.
Ricardo permaneceu em silêncio até aquele momento, mas acabou franzindo o cenho com impaciência.
— Vovó, não se intrometa. O que acontece entre mim e a Vanessa não diz respeito à senhora. E não vou admitir que continuem atacando ela desse jeito.
Não esperou resposta. Num gesto rápido, ele se inclinou e tomou Vanessa nos braços. O olhar duro não se desviou de Luana nem por um instante. Sem dar espaço a explicações, atravessou o jardim a carregando como se o resto do mundo tivesse deixado de existir.
Sofia acompanhou a cena com olhos pesados, a respiração curta. Quando os passos dele desapareceram pelo corredor, soltou um suspiro profundo, mais de frustração do que de raiva. Voltou-se para Luana, que ainda pingava água, os cabelos grudados no rosto, o corpo tremendo não só pelo frio, mas pela dor.
— No fim das contas, é a família Ferraz quem está falhando com você.
Luana ergueu o rosto e forçou um sorriso frágil, quase uma linha prestes a se romper.
— Não tem problema.
A voz saiu firme apenas na superfície. Por dentro, a certeza já estava tomada. Não importava o que Ricardo fizesse dali em diante, o divórcio não seria evitado.
Quando tentou se levantar, foi surpreendida por Amanda. Pela primeira vez desde o casamento, a sogra estendeu a mão e a ajudou, apoiando o braço dela ainda molhado.
— Mãe, levo ela para trocar de roupa.
Sofia apenas assentiu, observando em silêncio.
No quarto de hóspedes, Luana se fechou no closet e vestiu roupas secas. Ao sair, acreditava que Amanda já teria ido embora. Mas não, ela ainda estava ali, de pé, como se a esperasse.
— Sogra, já estou pronta. Vou voltar para casa. — Disse Luana, tentando manter o tom respeitoso, ainda desconfortável.
Amanda caminhou até ela devagar e, para surpresa da nora, ajeitou a gola da blusa com as próprias mãos. O gesto simples destoava de toda a frieza que sempre existia entre as duas.
— Agora você sabe... — Amanda começou, a voz baixa, sem a arrogância de costume. — O que significa viver casada com um homem que não te ama. Não é fácil. Mas você ainda é jovem... Ainda pode escolher outro caminho.
Luana piscou, confusa, encarando-a em silêncio. Era difícil acreditar que aquelas palavras vinham de Amanda.
— Sogra, eu não entendi.
— Não precisa entender. — Amanda respirou fundo, os olhos firmes sobre ela. — Você mesma viu como Ricardo trata você. Eu nunca gostei de você, isso não é segredo, mas também não aceito aquela Vanessa. Só acho que você é nova demais para desperdiçar a vida presa a alguém que só sabe te desprezar. Se eu tivesse tido a sua idade... e a sua chance... talvez minha vida tivesse sido diferente.
A voz vacilou no fim, mas Amanda não deixou a emoção transparecer por muito tempo. Endureceu o semblante e retomou o tom frio de sempre.


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