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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 117

— Só acho que a gente combina. — Vinícius disse num tom sereno, o olhar repousando sobre a mãe, que embalava a boneca como se fosse uma criança real. — Além disso, ela se afeiçoou a você. Esse pagamento é mais do que merecido.

Luana levou a xícara de café aos lábios, demorando-se no gesto antes de arriscar uma pergunta que já a incomodava havia algum tempo:

— Senhor Vinícius, desculpe a indiscrição... mas o que aconteceu com a sua mãe para ela ficar assim?

Pelo nível social da família, era impossível imaginar que aquela condição fosse de nascença. Famílias com poder e influência dificilmente aceitariam um casamento com alguém que tivesse um distúrbio mental. Mais provável era que tivesse acontecido algum trauma.

Vinícius bateu os dedos no tampo da mesa, como se organizasse as palavras.

— Se não fosse por um acidente, eu teria uma irmã.

Luana arregalou levemente os olhos.

— Uma irmã?

Ele assentiu, explicando com a voz grave:

— Minha mãe deu à luz, mas o médico anunciou que o bebê nasceu morto. Ela viu a criança sem vida... e nunca mais voltou a ser a mesma. Desde então, alterna entre momentos de lucidez e delírio. Até hoje acredita que minha irmã está viva.

O olhar de Luana foi instintivamente para a senhora Souza, que agora tentava alimentar a boneca com uma mamadeira, o sorriso no rosto tão doce quanto doloroso de se ver. O coração dela se apertou.

— Faz sentido. Perder um filho é insuportável.

No fundo, uma pontada amarga surgiu. Quantas vezes invejava quem tinha pai e mãe para amparar, para chamar de lar? Diferente dela, que era rejeitada no instante em que nasceu. Cresceu sem afeto e, por isso, na vida adulta passou a buscar desesperadamente por amor, mesmo nos lugares mais impossíveis, o que a fazia se sentir ridícula e profundamente humilhada.

Ao menos agora, não tinha mais nada a perder.

...

No fim da tarde, a chuva caía fina, lavando as ruas. O motorista de Vinícius a deixou em Bela Vista. Quando saiu do elevador, Luana sentiu o cheiro forte de cigarro.

Ricardo estava encostado no cinzeiro do corredor, a fumaça subindo em espirais. O olhar, escuro e profundo, lembrava o mar em noite sem lua.

— Foi você quem mandou a foto para minha mãe?

Ela já esperava a pergunta.

— Fui eu.

Os olhos dele se estreitaram, o perigo evidente.

— Como descobriu?

Luana desbloqueou o celular e exibiu a conversa que havia guardado, pronta para o que viria. Um sorriso irônico se formou lentamente em seus lábios.

— Sua primeira namorada postou. Parabéns, senhor Ricardo, agora sua família não precisa mais cobrar netos. Já ganhou um de presente.

Ricardo avançou de repente, apertando o rosto dela com força entre os dedos. O gesto a fez estremecer. Tentou virar a cabeça, mas ele segurou seu queixo com brutalidade, obrigando-a a encará-lo. A dor latejou, fazendo-a cerrar as sobrancelhas.

— Qual era a sua intenção ao mandar aquela foto? — A voz dele cortava como faca. — Queria se exibir para ela? Ou está tentando usar minha mãe contra eles?

O sorriso de Luana se desfez, ficando apenas o amargor.

— Se a família Ferraz aceitar essa criança, você já terá um herdeiro. Só estou ajudando.

Ele a soltou bruscamente. Ela quase caiu para trás, mas conseguiu se firmar.

— Não faça nada além do necessário. — Esmagou o cigarro no cinzeiro, a cinza se desfazendo sob sua mão firme. — Aquele menino não é meu filho.

Luana soltou uma risada seca, olhando o perfil dele, carregado de sombra.

— Se é seu ou não, pouco me importa.

Virou-se sem esperar resposta e entrou no apartamento, fechando a porta com força.

Ricardo permaneceu no corredor, imóvel. A luz do fim da tarde atravessava a janela, dividindo seu rosto entre claridade e sombra. No vidro, o reflexo mostrava uma expressão dura, indecifrável. O silêncio pesado só foi quebrado pelo toque do celular.

Ele atendeu, sem hesitar, com a voz baixa e sombria:

— Fala.

— Você não sabe falar direito?

Outra funcionária veio, puxando a colega pelo braço, mas não menos cruel.

— Deixa. É só uma maluca. Não vale a pena discutir.

A palavra atravessou Luana como uma lâmina.

— Quem você chamou de maluca? — Sua voz gelada fez a loja silenciar por um instante.

— Ué, não é doente? Gente assim devia ficar em casa. Se ela surtar aqui dentro e atacar alguém? — A vendedora recuou, como se tivesse medo de contágio.

A senhora Souza olhou para Luana, com os olhos marejados.

— Elas estão falando de mim?

Luana a puxou para perto, abraçando-a pelos ombros.

— Não liga. Eu estou aqui. — Então ela encarou as funcionárias. — Peçam desculpas.

— Por quê? — A primeira retrucou com desprezo.

Luana ergueu o celular e ameaçou:

— Porque se não pedirem, eu vou gravar e postar na internet. Quero ver se o gerente de vocês dá conta do escândalo.

As duas empalideceram, nervosas. Mas antes que dissessem qualquer coisa, uma voz familiar ecoou pela loja:

— Quem está fazendo escândalo aqui? Ah, claro. Tinha que ser você.

As vendedoras mudaram de expressão na mesma hora, correndo para cumprimentar:

— Senhora Catarina, que prazer tê-la aqui!

Luana ergueu o olhar e, no instante em que seus olhos se cruzaram com os de Catarina, reconheceu de imediato a mulher que havia destruído a vida de Luiz. O sangue lhe ferveu nas veias e, antes mesmo de perceber, seus punhos já estavam cerrados.

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