Catarina era cliente antiga daquela loja, do tipo que gastava cifras absurdas a cada visita e, por isso, era tratada como uma deusa pelas funcionárias, uma VIP absoluta responsável por várias metas batidas.
Sempre havia uma xícara de chá à sua espera, uma poltrona macia reservada e sorrisos prontos para bajulá-la, como se sua presença fosse um privilégio.
Com a ponta dos dedos, acariciava o couro macio de uma bolsa de grife recém-comprada, o olhar carregado de desdém quando pousou em Luana. A voz saiu lenta, arrastada e venenosa:
— Doutora Luana, me diga, quanto você ganha por mês? Acha mesmo que pode se dar ao luxo de entrar numa loja como essa? Jovens precisam aprender a conter a vaidade. Quem não tem condição não devia se forçar.
Luana respirou fundo, manteve a calma, mas o sorriso que abriu tinha o corte afiado de uma lâmina.
— Engraçado... gastar o dinheiro de suborno que o seu marido recebeu de forma ilegal não é vaidade, né? Imagino a cara do doutor Pedro, preso naquela cela, se soubesse que a senhora está aqui torrando o que ele juntou com corrupção.
Catarina perdeu a compostura na hora.
— Sua vagabunda! — Ela cuspiu, o rosto queimando de raiva. — Como ousa me enfrentar desse jeito?
Antes que Luana pudesse retrucar, a Sra. Souza avançou um passo. Seu olhar, ao mesmo tempo, inocente e firme como o de uma criança, cravou-se em Catarina.
— Velha malvada! Como ousa gritar com a minha filhinha? Você vai pagar por isso, vai ter o castigo que merece!
— Quem você chamou de velha, sua louca? — Catarina vociferou, descontrolada.
A senhora Souza recuou, escondendo-se atrás de Luana, mas ainda deixou metade do rosto de fora, rindo baixinho como uma criança travessa:
— Quem foi chamada de velha malvada? Quem, hein?
— Você! — Catarina se inclinou para frente, mas a vendedora ao lado segurou discretamente seu braço e sussurrou algo em seu ouvido. O gesto bastou para que Catarina respirasse fundo, ajeitasse os cabelos e retomasse a pose de madame inalcançável.
— No fim das contas, cada um anda com quem merece. Pessoas do mesmo nível sempre se juntam. Não poderia ser diferente.
Luana avançou um passo, os olhos certeiros e a voz carregada de ironia:
— Concordo. Pessoas do mesmo nível sempre acabam se encontrando. Caso contrário, como explicar o que você fez pela Vanessa?
O corpo de Catarina enrijeceu, a reação foi imediata. O desvio rápido do olhar só confirmou o que Luana já suspeitava.
— Que bobagem é essa que você está inventando?
— Bobagem? — Luana estreitou os olhos, analisando cada micro expressão dela. — Você sabe melhor do que ninguém. Principalmente quando se trata do Bruno. Esse nome não soa familiar?
Catarina engoliu em seco. O aperto mais forte no punho da bolsa, o queixo erguido à força, a negação apressada. Tudo denunciava mais do que suas palavras.


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