O pôr do sol ainda tingia o horizonte em tons dourados quando Vinícius estacionou o carro diante do edifício Bela Vista. Antes que Luana abrisse a porta para sair, ele a chamou num tom sereno, quase cuidadoso:
— Você tem um tempo hoje, depois das oito?
Ela se virou devagar, a mão já pousada no trinco, e franziu a testa, desconfiada.
— Para quê?
— Fui convidado para um jantar de gala. — Ele explicou, mantendo os olhos fixos nela. — Acabei de chegar a Oeiras, conheço pouca gente. Achei que talvez pudesse me acompanhar.
Fez uma breve pausa e acrescentou, num tom quase de desculpa:
— Posso pagar a mais, se preferir.
Luana não hesitou, respondeu de imediato:
— Aceito.
Os lábios dele se curvaram num sorriso discreto, satisfeito, mas antes que pudesse agradecer, ela completou, firme:
— Não precisa pagar nada a mais. Pela senhora Souza, vou de graça.
Por um instante, um lampejo de surpresa atravessou o olhar de Vinícius, como se não esperasse aquela resposta. Logo, porém, a surpresa deu lugar a um sorriso genuíno, que suavizou a rigidez de seu semblante.
— Então passo aqui mais tarde para te buscar.
...
Depois que ele partiu, Luana subiu para o apartamento. Tomou um banho demorado, deixando a água quente escorrer pelo corpo, como se pudesse levar consigo o peso dos últimos dias. Ao abrir a gaveta da penteadeira, ficou parada alguns segundos diante da fileira de cosméticos esquecidos. Tocou de leve um batom ainda lacrado, uma sombra quase intacta. Já nem lembrava a última vez em que havia se arrumado de verdade.
O reflexo no espelho trouxe de volta lembranças amargas. Seis anos mendigando afeto, tentando agradar a qualquer custo, sempre se anulando. O coração se apertou, mas, em vez de se deixar abater, respirou fundo e tomou uma decisão silenciosa. Naquela noite, iria se reconciliar com o próprio passado e, sobretudo, consigo mesma.
...
A noite caiu, e as luzes da cidade refletiam no asfalto úmido, espalhando brilhos como estrelas partidas. Encostado no carro, Vinícius ergueu o olhar e, por um instante, esqueceu-se de respirar.
Luana atravessava a calçada com passos firmes. Vestia um longo de veludo vermelho, decote em U, que moldava sua silhueta com elegância. Nos pés, sandálias de tiras finas e salto alto. O cabelo, solto em ondas leves, caía pelos ombros, e a maquiagem, embora discreta, era realçada pelo batom vermelho intenso que iluminava seus traços marcantes.
— Esse visual combina muito com você. — Ele deixou escapar, quase num sussurro.
— Obrigada. — Luana respondeu com um leve sorriso, natural, mas os olhos deixavam transparecer uma ponta de nervosismo contido.
...
O jantar acontecia em Sabores da Alma, o restaurante mais luxuoso de Oeiras. Além da alta gastronomia, era o único autorizado a sediar leilões de antiguidades. O salão mais exclusivo, chamado Imperador, exigia consumo mínimo de 300 mil reais. Decorado como um antigo palácio europeu, possuía fontes ornamentais, palco para músicos ao vivo e mesas cobertas por louças de jade e cristal.
Assim que entraram, todos os olhares se voltaram para eles. Luana sentiu o peso da atenção lhe atravessar a pele, mas manteve o queixo erguido, disfarçando o aperto que lhe tomava o peito.
Luana aproveitou o momento para observar o ambiente. Assim que percorreu o salão com o olhar, reconheceu entre os presentes a figura de Bernardo.
Ele ergueu a taça na direção dela, um gesto carregado de ironia. Ela atravessou o salão e se aproximou.
— Bernardo, você também por aqui?
— Pois é. — Os olhos dele percorreram sua figura lentamente, demorando-se nos detalhes. — Mas quem me surpreendeu foi você. Nunca pensei que tivesse ligação com o senhor Vinícius. Subestimei.
— Ele é... digamos, um benfeitor.
Bernardo arqueou a sobrancelha, sorrindo de canto.
— Raro te ver arrumada assim. — Disse, e sem pedir licença enrolou entre os dedos uma mecha solta do cabelo dela. — Está linda.
O gesto a deixou paralisada por alguns segundos. Engoliu em seco, sem saber como reagir.
Foi quando uma voz firme e conhecida atravessou o salão, ressoando sobre o burburinho dos convidados.
— Senhor Ricardo.
O coração de Luana disparou. Lentamente, virou-se e, no meio da multidão, encontrou os olhos escuros e intensos de Ricardo, cravados nela como uma lâmina silenciosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...