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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 121

Ricardo apoiava o cotovelo na mesinha alta e a observava com aquele olhar calmo, como se nada ao redor realmente importasse.

Ninguém sabia há quanto tempo ele estava ali, imóvel e discreto, apenas observando.

Vestia um terno preto impecável, de corte preciso, e o cabelo curto estava penteado com o mesmo cuidado meticuloso de sempre. Era o mesmo Ricardo de sempre, reservado e contido, com aquele ar quase glacial de quem jamais se deixa abalar. No entanto, naquele instante, havia algo diferente nele, um brilho discreto nos olhos, quase imperceptível, que parecia guardar uma centelha de calor reprimido.

Luana apertou a taça de vinho entre os dedos e desviou o olhar com serenidade estudada, fingindo não notar a presença dele. Ricardo também desviou o rosto, ergueu a taça e brindou com um empresário que se aproximava, simulando absoluta indiferença.

Entre eles, seguia vivo o antigo acordo silencioso. Em público, eram estranhos.

Foi naquele momento que Vinícius surgiu entre os convidados, a expressão serena de sempre, movendo-se com a elegância natural de quem sabia que todos o observam.

— Você está aqui. — Disse ele, a voz baixa, sem esconder o alívio discreto.

— Já terminou de conversar? — Perguntou ela, mantendo o tom neutro.

— Sim. — Vinícius respondeu, assentindo. Então olhou para o lado, notando Bernardo que os observava.

Bernardo se adiantou, sorridente, e estendeu a mão.

— É um prazer finalmente conhecê-lo, Sr. Vinícius.

— Você é neto do José, não é? — Perguntou Vinícius, apertando a mão dele antes de soltar.

— O senhor conheceu meu avô?

— Os mais velhos da minha família conheciam. Eu, pessoalmente, não muito.

O diálogo seguiu com a polidez típica dos eventos de gala, educado e impecável, mas havia algo não dito pairando no ar, uma tensão sutil que apenas os mais atentos perceberiam.

Sentindo-se fora de lugar naquela conversa de cavalheiros, Luana deu um passo discreto para o lado, tentando sair do foco. No entanto, acabou esbarrando em alguém. O impacto foi leve, mas suficiente para deixar uma marca nítida de batom na lapela do terno do homem.

Ela sentiu o aroma limpo de sabão em pó, fresco e familiar, e congelou.

Ricardo baixou o olhar, observou a mancha avermelhada no tecido e, em seguida, ergueu os olhos para ela.

Sua voz, grave e rouca, rompeu o murmúrio elegante do salão:

— Senhora, seu batom ficou na minha roupa.

Se ele tivesse ficado em silêncio, talvez ninguém tivesse notado. Mas bastou aquela frase para que metade do salão se virasse curiosa.

Luana sustentou o olhar, forçando um sorriso tranquilo.

— Me desculpe, Sr. Ricardo, não percebi. — Ela respondeu, pegando um lenço de papel da bolsa. — Quer que eu limpe para você?

Ele não se moveu, nem olhou para o lenço.

O burburinho começou quase de imediato, como uma onda que se espalha.

— Que sorte a dessa mulher, hein? Já está com o Sr. Bernardo e o Sr. Vinícius por perto, e agora o Sr. Ricardo também?

O suficiente para que os cochichos se multiplicassem.

Em poucos minutos, metade do salão acreditava que Ricardo estava flertando com a acompanhante de Vinícius.

Vinícius se aproximou, a voz calma, mas firme como aço polido, e perguntou:

— Sr. Ricardo, por que não aceita o lenço? Está tentando constranger minha convidada?

Os dois ficaram frente a frente. Vinícius mantinha a postura serena e elegante, com aquele charme preguiçoso e levemente perigoso, enquanto Ricardo permanecia imponente, de traços rígidos e olhar frio.

A cena parecia saída de um anúncio de luxo, com duas figuras fortes dominando o mesmo espaço, enquanto o resto do salão prendia a respiração.

Ricardo pegou finalmente o lenço, e um leve sorriso se formou em seus lábios.

— Acompanhante? Eu realmente não sabia que a Sra. Luana tinha talentos sociais tão... versáteis. Da última vez, era o Sr. Bernardo.

Assim que ouviram "Sra. Luana", vários olhares se cruzaram, curiosos e atentos. Era óbvio que havia algo entre eles, e em segundos todos os olhos do salão estavam voltados para ela.

Luana manteve a expressão controlada, mesmo sentindo o calor subir pelo rosto, e respondeu num tom pausado:

— É natural que o senhor não saiba. Afinal, nós dois...

Percebeu o leve franzir de sobrancelhas dele e, com um sorriso que beirava a ironia, ela completou:

— Não somos exatamente próximos.

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