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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 123

As pupilas de Luana se contraíram num reflexo instintivo. Ela tentou empurrá-lo, mas Ricardo já previa a reação e manteve o braço firme contra a porta, prendendo-a entre ele e a madeira.

O beijo dele era quente, quente demais, quase febril, e o calor que vinha do corpo parecia incendiar o ar ao redor. A última vez em que havia perdido o controle daquela forma era quando estava sob o efeito de remédios. Será que agora também?

Antes que o pensamento se completasse, Luana reagiu. Girou o corpo e deu um tapa às cegas. Não acertou o rosto, mas atingiu em cheio a orelha, e ele virou a cabeça com o impacto.

Tremendo de raiva, ela falou com a voz trêmula, porém firme:

— Ricardo, olha direito para mim. Eu não sou a Vanessa.

O maxilar dele se moveu devagar, tenso. Ele não respondeu, apenas passou o polegar no canto da boca, onde ainda restava um traço do batom.

Luana respirou fundo, o coração acelerado, e percebeu que agira por impulso. Tentou se recompor e disse em voz baixa:

— Ricardo, você não era assim. Você está me deixando com medo.

O silêncio se prolongou por alguns segundos. Ele apenas a observou, os olhos escuros difíceis de decifrar, depois afrouxou o nó da gravata com um gesto brusco e falou num tom seco, sem espaço para réplica:

— Quero te ver antes das dez.

Virou-se e saiu sem olhar para trás.

As pernas de Luana fraquejaram. Encostou-se à porta, respirou fundo e tentou entender o que acabara de acontecer. Ricardo estava com ciúmes? A ideia pareceu absurda o suficiente para fazê-la rir sozinha.

Pegou um lenço, limpou o batom borrado, retocou a maquiagem e esperou um pouco antes de deixar a sala.

Assim que saiu, encontrou Bernardo no corredor. Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu com jeito provocador.

— Ora, ora... o que você fazia com o Sr. Ricardo na sala de descanso? — Ele perguntou, divertido.

— Só nos encontramos por acaso. — Luana respondeu rápido demais.

Bernardo cruzou os braços, desconfiado.

— Sério?

O rubor lhe subiu às bochechas. Aquilo parecia um flagrante, e a sensação de culpa a incomodou mais do que deveria. Bernardo riu de leve, baixou a voz e, num gesto discreto, tocou o ombro dela com delicadeza:

— Tá bom, não precisa me contar se não quiser. Mas, Luana, tenta confiar mais em mim. Aconteça o que acontecer, estou do seu lado.

As palavras a atingiram de um jeito inesperado. Fazia tempo que ninguém dizia algo assim para ela, alguém disposto a ficar ao seu lado sem pedir nada em troca. Fora o irmão e o professor, ninguém.

Ela desviou o olhar para esconder a emoção.

— Obrigada, Bernardo. Mas entre mim e ele as coisas são complicadas. Não quero te envolver.

— Satisfeito? — Completou ela.

— Bebi demais. — Ele respondeu, atrasando o gesto de levar o copo à boca.

Ela o encarou com desconfiança, tentando adivinhar se ele buscava justificar o que havia feito na sala, e respondeu com frieza contida, já se preparando para sair:

— Entendi.

Ele segurou o braço dela com firmeza, aproximando-se o bastante para a voz soar quase num sussurro, rouca e contida:

— Eu disse que bebi demais.

— E daí?

— Estou tonto.

Por um instante, ela achou que estivesse delirando. Ver Ricardo se queixando, demonstrando fraqueza, era quase impossível. Enquanto tentava entender o que via, ele apoiou o cotovelo no balcão e sustentou a cabeça com a mão, num gesto preguiçoso que contrastava com o olhar turvo.

— Você não era boa em preparar sopa pra curar ressaca?

O mundo desacelerou. Lembranças vieram sem aviso, noites em que ele voltava bêbado de festas da empresa e ela, com paciência, ficava acordada para cuidar dele. Ele nunca havia dado importância, e agora vinha com isso?

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