As pupilas de Luana se contraíram num reflexo instintivo. Ela tentou empurrá-lo, mas Ricardo já previa a reação e manteve o braço firme contra a porta, prendendo-a entre ele e a madeira.
O beijo dele era quente, quente demais, quase febril, e o calor que vinha do corpo parecia incendiar o ar ao redor. A última vez em que havia perdido o controle daquela forma era quando estava sob o efeito de remédios. Será que agora também?
Antes que o pensamento se completasse, Luana reagiu. Girou o corpo e deu um tapa às cegas. Não acertou o rosto, mas atingiu em cheio a orelha, e ele virou a cabeça com o impacto.
Tremendo de raiva, ela falou com a voz trêmula, porém firme:
— Ricardo, olha direito para mim. Eu não sou a Vanessa.
O maxilar dele se moveu devagar, tenso. Ele não respondeu, apenas passou o polegar no canto da boca, onde ainda restava um traço do batom.
Luana respirou fundo, o coração acelerado, e percebeu que agira por impulso. Tentou se recompor e disse em voz baixa:
— Ricardo, você não era assim. Você está me deixando com medo.
O silêncio se prolongou por alguns segundos. Ele apenas a observou, os olhos escuros difíceis de decifrar, depois afrouxou o nó da gravata com um gesto brusco e falou num tom seco, sem espaço para réplica:
— Quero te ver antes das dez.
Virou-se e saiu sem olhar para trás.
As pernas de Luana fraquejaram. Encostou-se à porta, respirou fundo e tentou entender o que acabara de acontecer. Ricardo estava com ciúmes? A ideia pareceu absurda o suficiente para fazê-la rir sozinha.
Pegou um lenço, limpou o batom borrado, retocou a maquiagem e esperou um pouco antes de deixar a sala.
Assim que saiu, encontrou Bernardo no corredor. Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu com jeito provocador.
— Ora, ora... o que você fazia com o Sr. Ricardo na sala de descanso? — Ele perguntou, divertido.
— Só nos encontramos por acaso. — Luana respondeu rápido demais.
Bernardo cruzou os braços, desconfiado.
— Sério?
O rubor lhe subiu às bochechas. Aquilo parecia um flagrante, e a sensação de culpa a incomodou mais do que deveria. Bernardo riu de leve, baixou a voz e, num gesto discreto, tocou o ombro dela com delicadeza:
— Tá bom, não precisa me contar se não quiser. Mas, Luana, tenta confiar mais em mim. Aconteça o que acontecer, estou do seu lado.
As palavras a atingiram de um jeito inesperado. Fazia tempo que ninguém dizia algo assim para ela, alguém disposto a ficar ao seu lado sem pedir nada em troca. Fora o irmão e o professor, ninguém.
Ela desviou o olhar para esconder a emoção.
— Obrigada, Bernardo. Mas entre mim e ele as coisas são complicadas. Não quero te envolver.

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