Agatha ficou paralisada, a mente demorando alguns segundos para processar a cena diante dela. Nesse instante, Vitor apareceu no corredor acompanhado de alguns enfermeiros, ofegante.
— Senhora! — Chamou ele, com a voz tensa.
Os enfermeiros se apressaram em separá-las, mas a Sra. Souza resistia, agitada.
— Quero minha menininha! — Ela gritava, tentando se soltar com força surpreendente.
— Aqui, aqui está! — Vitor agarrou rapidamente a boneca que trazia e a mostrou para ela, quase desesperado.
Assim que a velha senhora viu o brinquedo, parou de resistir e agarrou a boneca contra o peito; os olhos marejaram e a voz tremeu num sussurro terno:
— Não chora, meu amor... mamãe está aqui, está aqui...
Vitor enxugou o suor da testa, o coração ainda acelerado. Por pouco, um escândalo no hospital teria acabado com sua carreira. Virou-se para Agatha, que ainda parecia em choque, e disse com pressa:
— Me desculpe, minha patroa te assustou. Está tudo bem?
Ela piscou algumas vezes, voltando a si.
— Está sim... não foi nada.
— Ainda bem. — Vitor soltou o ar, aliviado, e se voltou para os enfermeiros. — Levem a senhora de volta para o quarto.
Com muito cuidado, conseguiram convencer a Sra. Souza a acompanhá-los. Ela entrou no elevador abraçada à boneca, murmurando palavras suaves como se acalmasse uma criança real. Mesmo depois que a porta se fechou, Agatha continuou ali, o corpo rígido, o coração descompassado.
Pouco tempo depois, Douglas apareceu no corredor, irritado.
— Você não ia só pegar água quente? Que tanto tempo é esse?
Ela não respondeu.
— Ei, o que foi? — Douglas insistiu, aproximando-se.
— Douglas... — Agatha murmurou, os olhos ainda perdidos. — Vi uma mulher.
Ele revirou os olhos.
— E daí? Qual mulher? Volta logo, o Luiz está precisando tomar banho.
— Ela parecia com a Luana. — A voz dela era quase um sussurro. — Você acha que pode ser a mãe biológica dela?
Se Luana conseguisse encontrar os pais biológicos, ela certamente ficaria feliz. Ainda assim, após tê-la criado por mais de vinte anos, era impossível fingir indiferença, pois mesmo que o carinho dedicado à menina nunca tivesse sido tão intenso quanto aquele reservado ao próprio filho, existia entre elas um vínculo verdadeiro, construído ao longo dos anos.
Douglas bufou sem paciência:
— Ah, Agatha, para com isso. Só porque se parece um pouco, já vai achar que é parente? O mundo está cheio de gente parecida.
Então, pegou a bacia da mão dela e saiu andando.

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