Desde que o marido morreu, Agatha só tinha Luana para se apoiar. E era justamente por isso que ela se sentia tão dividida, e queria desesperadamente que a filha encontrasse os pais biológicos, mas, ao mesmo tempo, tremia de medo só de pensar que Luana pudesse ir embora depois disso.
Era egoísmo, puro e simples. E Agatha odiava sentir isso.
A culpa pesava no peito dela como uma pedra.
Alheia ao turbilhão interno da mãe, Luana continuou falando naturalmente:
— Falando nisso, sabia que o Sr. Vinícius praticamente salvou minha vida? Tive uma insolação forte e desmaiei no meio da rua. Foi ele quem me socorreu e me levou para o hospital. Se não fosse por ele, eu podia ter sido atropelada.
Agatha piscou, surpresa, mas logo abriu um sorriso suave.
— Isso não é coincidência, filha. É destino.
Mas o sorriso dela foi murchando aos poucos até desaparecer por completo, substituído por uma expressão distante e carregada de saudade.
— Eu queria ter esse tipo de sorte também... poder encontrar minha filha de verdade. — A voz dela saiu baixa, quase um sussurro. — Tantos anos já se passaram. Eu nem sei onde ela está, se está bem, se é feliz...
Vendo a tristeza estampada no rosto da mãe, Luana se levantou devagar e foi até ela, se ajoelhando ao lado da cadeira.
— Mãe, a senhora quer tentar procurar por ela?
— Quero. Todos os dias, Luana. — Agatha soltou um suspiro pesado, com os olhos marejados. — Mas eu nem sei como ela é hoje. Não tenho a menor ideia.
Luana mordeu o lábio, pensativa. A filha biológica de Agatha, aquela que havia sido vendida tantos anos atrás, devia ter uma idade próxima à dela, talvez um ou dois anos a mais.
Se ela conseguisse ajudar a mãe a reencontrar essa filha, seria algo realmente bom.
— Mãe, quando a senhora deu à luz, deixou alguma coisa com ela? Algum objeto, uma lembrança? Ou ela tinha alguma marca de nascença, alguma coisa assim?
Agatha ficou em silêncio por alguns segundos, o olhar perdido no vazio enquanto tentava se lembrar.
— Eu só lembro... — Sua voz falhou. — Que ela tinha uma pintinha vermelha bem pequena no pulso.
...
Meio-dia.
Luana voltou para o hospital após visitar Luiz. Quando passou pela recepção, uma das enfermeiras acenou animada e correu até ela segurando um buquê enorme de rosas azuis.
— Dra. Luana! Olha isso aqui! O Sr. Bernardo mandou entregar para senhora.
— Meu Deus do céu, Dra. Luana! — Outras enfermeiras apareceram de todos os lados, praticamente cercando ela. — O Sr. Bernardo está te paquerando mesmo, né? Que sorte a sua!
Luana ficou sem graça, meio sem saber o que fazer. Mas como era do Bernardo, seria estranho recusar ali na frente de todo mundo. Então aceitou as flores com um sorriso forçado.
Dentro do buquê, havia um cartão pequeno escrito à mão e uma caixinha de veludo com o logo dourado de uma joalheria cara.
O cartão dizia: [Para minha querida Luana.]
Era bem o estilo dele. Mas Bernardo sabia que ela ainda estava casada...
Do outro lado do corredor, encostada na parede perto da porta do próprio consultório, Vanessa observava tudo com os braços cruzados e um sorrisinho venenoso no rosto. Pensou em algo, pegou o celular e mandou uma mensagem para Ricardo, de propósito.
...
Final de tarde.
Quando Luana saiu do hospital no fim do expediente, viu Bernardo esperando do lado de fora do portão principal. Ele estava inquieto, andando de um lado para o outro, a expressão visivelmente preocupada.
Ela hesitou, mas foi até ele.
— Bernardo?
Ele virou rapidamente ao ouvir a voz dela, o rosto se abrindo num misto de alívio e constrangimento.
— Luana... — Ele passou a mão pelos cabelos, nervoso. — Desculpa. Desculpa mesmo pelo que aconteceu hoje. Aquelas flores, a joia... não fui eu quem mandou.
Luana piscou, confusa.
— Como assim, não foi você?
— Foi uma amiga minha. — Bernardo apertou o maxilar, e por uma fração de segundo algo frio e perigoso passou pelos olhos dele antes de sumir. — Ela sabe que gosto de você e resolveu tomar a iniciativa sem me avisar. Uma ideia idiota.

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