Depois que Érica foi arrastada para fora, a sala de estar, antes palco de uma gritaria caótica, mergulhou em um silêncio sepulcral.
Os três homens restantes franziam a testa, a tensão palpável no ar. A estranheza da situação era evidente para todos. Teria sido aquilo um surto de consciência de César ou uma estratégia friamente calculada para incriminar a madrasta? E se Érica fosse realmente a mentora, como poderia ter sido tão imprudente, caindo tão facilmente nas provocações de César e selando o próprio destino com sua histeria?
Afonso estava lívido. A mão que segurava a xícara de chá tremia incontrolavelmente. A traição dupla, da esposa e do filho, era como um espinho venenoso cravado no lugar mais profundo e vulnerável de seu orgulho. Ele havia vivido décadas comandando aquela família com pulso firme, apenas para descobrir que, sob seu próprio teto, as duas pessoas em quem devia confiar conspiravam e se deitavam juntas pelas suas costas.
O chá na xícara ondulava, refletindo o tumulto em seus olhos, um turbilhão de choque, fúria e uma vergonha avassaladora. Ele tentou umedecer os lábios secos, mas as palavras morreram em sua garganta, sufocadas pela bile da decepção.
A fúria extrema cobrou seu preço. A pressão sanguínea de Afonso disparou e, após uma onda violenta de tontura, seus dedos perderam a força. A xícara escorregou e se estilhaçou no chão com um som agudo.
O patriarca pendeu para o lado.
— Pai!
— Vovô!
Vinícius, que estava mais próximo, amparou o avô antes que ele caísse, seguido imediatamente por Emanuel e Danilo.
Luana correu para ajudar, assumindo o controle com autoridade médica.
— Pai, tio Emanuel, deitem ele no chão agora! Mantenham ele na posição horizontal para não agravar a isquemia cerebral.
Enquanto falava, já discava para a emergência. Após relatar o estado de Afonso com precisão clínica, ela levantou a cabeça e varreu a sala com o olhar.
— Tem algum anti-hipertensivo em casa? Nifedipina ou algo do tipo?
A governanta, pálida de susto, assentiu freneticamente.
— Sim, temos!
— Traga. Rápido! — Ordenou Luana.
A mulher correu escada acima. César, que ainda estava ajoelhado no chão, hesitou por um segundo, cerrando os dentes, antes de se arrastar até o lado do pai, compondo uma expressão de preocupação filial. Mas, naquele momento de crise, ele era invisível para os outros.
A governanta voltou com o remédio e o entregou a Luana. Quando a jovem ia administrar a medicação, César segurou seu braço bruscamente.
— Você é só uma garota, tem noção da dosagem? Se acontecer alguma coisa com ele, você vai assumir a responsabilidade?
Danilo arrancou a mão de César do braço da filha com um empurrão.
— Você acha que tem moral para questionar minha filha agora?
Luana ignorou a provocação, focada apenas em salvar o avô. Com destreza, colocou o medicamento sob a língua de Afonso para absorção rápida.
Minutos angustiantes se passaram até que Afonso começou a recobrar a consciência. Ele respirava com dificuldade, os olhos varrendo os rostos preocupados ao seu redor, mas passando direto por César como se ele não existisse.
— Pai, eu... — Tentou César, a voz falhando.
— Chega. — Cortou Emanuel, ríspido. — O pai não quer ouvir suas explicações agora.
César trincou o maxilar, os músculos do rosto tremendo, mas se calou.
Luana girou nos calcanhares, encarando-o com ceticismo.
— E então?
Ele umedeceu os lábios, enfiando as mãos nos bolsos e caminhando em direção a ela com uma intimidade forçada.
— Acho que podemos conversar com calma. Se você quiser saber os... detalhes sórdidos.
Tomás estendeu o braço, com a intenção clara de passar a mão pelos ombros dela.
De repente, uma mão forte interceptou o movimento, agarrando o pulso de Tomás no ar.
Tomás estacou, confuso, e virou a cabeça para ver quem ousava tocá-lo. Deu de cara com um homem alto, de postura imponente, usando uma máscara que cobria suas feições. O desconhecido emanava uma aura gélida e perigosa.
Os dedos do homem se fecharam como tenazes de ferro ao redor do pulso de Tomás, apertando até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Sr. Tomás, sua cabeça mal cicatrizou da última vez e você já esqueceu a lição? — A voz era grave e ameaçadora.
Tomás grunhiu de dor, o sorriso desaparecendo para dar lugar a uma careta de raiva e espanto.
— Quem diabos é você? Me solta, porra!
Ricardo ignorou os xingamentos. Seus olhos profundos e escuros brilhavam através dos orifícios da máscara, fixos no rosto de Tomás com um desprezo palpável.
— Quem sou eu? — Ricardo soltou um riso curto e sem humor. Com um movimento brusco, ele atirou o braço de Tomás para longe e, com naturalidade possessiva, envolveu os ombros de Luana. — Sou o homem dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...