Ricardo não parecia ter imaginado que ela pediria o divórcio, e a expressão dele logo se fechou, tornando-se ainda mais sombria.
— Eu não vou concordar com o divórcio.
Luana ficou completamente sem rumo por alguns segundos. A recusa dele significaria que ainda havia algo entre os dois? Ou...
Sem dar espaço para que ela falasse, Ricardo completou:
— A vovó também não vai concordar.
Logo depois, o som seco da porta se fechando ecoou pelo ambiente.
Ela permaneceu parada ali, sem saber por quanto tempo, sentindo o peito sufocado, como se um pano encharcado tivesse se alojado dentro, bloqueando toda a respiração.
Ao lembrar do que tinha acabado de pensar, achou quase ridículo. Ricardo não queria o divórcio por causa dela? Estava claro que não. Era apenas porque temia que Sofia se opusesse. O que ele não imaginava é que a própria Sofia já havia lhe dado permissão.
Aquela noite terminou em briga, e cada um dormiu em um quarto separado. Na manhã seguinte, quando a empregada chegou, Ricardo já tinha desaparecido.
Luana tomou o café sozinha, fingindo que nada havia acontecido. Pouco depois, a empregada saiu do quarto e perguntou com certa estranheza:
— Senhora, por que parece que as coisas da casa diminuíram tanto?
Luana congelou por um instante. Até a empregada havia notado que faltavam objetos, e ele, em momento algum, se preocupava em perguntar nada. Estava mais do que claro o quanto ele realmente se importava.
Forçando um sorriso, Luana respondeu:
— Eram coisas velhas, acabei jogando fora. Não era nada importante.
A empregada não insistiu.
No meio do dia, o telefone tocou. Do outro lado da linha, o diretor do hospital explicou que havia um caso gravíssimo. Um paciente em estado crítico precisava de cirurgia cerebral de urgência, mas o especialista da equipe estava viajando. Somente ela tinha as condições de realizar o procedimento.
Luana não hesitou. Correu para o hospital, trocou de roupa e entrou na sala de emergência, onde já estavam reunidos todos os principais médicos, inclusive Vanessa.
O ar estava saturado com o cheiro metálico e intenso de sangue. Enquanto os outros médicos se aproximavam para examinar os ferimentos, Vanessa se mantinha afastada, lutando para conter o enjoo e com ânsias de vômito visíveis.
— Dra. Luana, que bom que chegou. — Disse o anestesista, aproximando-se. — O paciente caiu de uma obra há pouco. Está em coma.
Ao observar a situação, Luana sentiu o peso do caso. Uma barra de ferro de vinte centímetros tinha atravessado o crânio pela região dos olhos. Apesar do estado crítico, ainda havia sinais vitais. Era um verdadeiro milagre.
Tentando controlar a náusea, Vanessa falou com hesitação:
— Dra. Luana, a senhora acha mesmo que consegue fazer essa cirurgia? Se algo der errado, ele pode não sobreviver.
Luana ergueu os olhos e, com frieza, devolveu:
— Se eu não conseguir, você consegue?
A resposta seca fez corar o rosto de Vanessa. Sem perder tempo, Luana calçou as luvas e orientou a equipe:
— Vamos começar com a abertura do crânio para descompressão e retirada dos coágulos.


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