Luana ficou paralisada, encarando-o com um olhar incrédulo, como se não conseguisse acreditar no que acabara de ouvir.
— Impliquei com ela? — Ela perguntou, tentando confirmar se não estava entendendo errado.
Demorou apenas alguns segundos para perceber por que ele estava ali. Então era por causa da Vanessa?
— Ela é sua chefe. — Respondeu Ricardo, num tom firme e impessoal. — Independentemente de qualquer coisa, você não deveria ter criado uma situação constrangedora para ela diante de todos.
O modo como ele falava era totalmente profissional, sem o menor traço de intimidade que um marido deveria ter ao se dirigir à esposa.
Luana respirou fundo, como se quisesse sufocar a amargura que subia pela garganta, e forçou um sorriso que não chegava aos olhos.
— Imagino que você não tenha esquecido que eu era a cirurgiã responsável pelo caso. E como tal, tenho autoridade para intervir, não acha?
— E você, por acaso, esqueceu... — Retrucou Ricardo, com um sorriso carregado de ironia. — Que eu também tenho o direito de substituir a cirurgiã responsável se achar necessário?
Foi como se o coração de Luana tivesse levado um impacto seco e dolorido, um golpe silencioso que a fez estremecer por dentro.
Que pena! Ela já havia pedido transferência. Se ele trocasse ou não, já não faria diferença alguma.
— No futuro, não faça mais...
— Sr. Ricardo, se o senhor quer trocar, então troque. — Interrompeu ela, antes que ele terminasse a frase.
O sorriso dele se desfez imediatamente, cedendo lugar a uma expressão fria e carregada. Os olhos permaneceram fixos nela, como se tentassem decifrá-la.
Antes, ela só o tratava de "Sr. Ricardo" na presença de outras pessoas. Quando estavam sozinhos, jamais usava aquele distanciamento, e muito menos com tamanha frieza.
— Como é que você me chamou?
— Sr. Ricardo. — Repetiu Luana, com uma calma estranhamente controlada, antes de perguntar de volta, sem desviar o olhar. — Não é assim que o senhor prefere que eu o chame?
Ele franziu o cenho, prestes a dizer algo, quando uma enfermeira surgiu ofegante pelo corredor.
— Doutora Luana! — Exclamou, visivelmente aflita. — Não sei bem o que houve, mas a família de um paciente está discutindo com a Dra. Vanessa!
Luana mal teve tempo de reagir. Ricardo, que estava ao seu lado, saiu quase correndo, como se nem tivesse pensado, lhe deixando apenas a visão das costas dele se afastando.
Ver a pressa com que se lançou para ajudar Vanessa arrancou dela um sorriso amargo. Quando, em toda a história deles, ele havia se preocupado dessa forma com ela?
Próximo à porta do quarto, a família do paciente discutia acaloradamente com Vanessa.



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