Dois dias após receber alta, Luana acompanhou Vinícius ao funeral de Ivana. O cenário era desolador. O local estava praticamente vazio, frequentado apenas por Danilo, Vinícius e a assistente pessoal da falecida, sem qualquer sinal dos outros membros da família Moura.
Embora Luana desconhecesse a gravidade dos atos que levaram os Moura a cortar laços tão drasticamente com Ivana, a realidade de um fim tão solitário, onde as glórias passadas se desfazem como fumaça, não deixava de ser profundamente melancólica.
Ao saírem do cemitério, o clima pesava sobre os ombros de Luana. Vitor, que aguardava ao lado do veículo, prontamente abriu a porta traseira assim que viu o patrão e os filhos se aproximarem.
Antes de entrarem, Danilo interrompeu o silêncio, sua voz carregada de um afeto paternal e sério.
— Luana, sei que o fato de não ter crescido ao nosso lado cria certas barreiras. Percebo que muitas vezes evita nos pedir ajuda para não incomodar, mas preciso que entenda uma coisa, para a família, nada é um incômodo.
Luana travou, observando a expressão preocupada do pai, e uma pontada de culpa lhe atingiu o peito. O sangue da família Souza corria em suas veias, mas duas décadas de separação forçada criaram um abismo difícil de ignorar.
Em sua mente e coração, foram os Freitas que a viram crescer. Descobrir que não era filha biológica deles e que seus pais eram outros trouxe a alegria do reencontro, sem dúvida, mas também inseguranças profundas. O maior medo de Luana era que, ao causar problemas ou ser um fardo, acabasse decepcionando ou desagradando seus pais biológicos.
— Pai, me desculpe, eu... — Disse ela, com a voz embargada.
Danilo a interrompeu gentilmente, dando tapinhas leves e reconfortantes em suas costas.
— Minha filha não precisa se desculpar comigo. — Ele sorriu, tranquilizador. — Se alguém deve desculpas, sou eu. A situação atual da família Souza é caótica e não tivemos tempo suficiente para estar com você, o que acabou gerando toda essa insegurança.
— O problema sou eu. — Insistiu Luana, balançando a cabeça negativamente. — É o meu medo bobo de que vocês acabem me rejeitando ou se cansando de mim.
Danilo assumiu uma postura solene, olhando-a.
— Não existem pais neste mundo que rejeitariam a própria filha, e garanto que eu e sua mãe jamais faríamos isso. Você é parte de nós.
Luana sorriu, sentindo o calor daquelas palavras dissipar parte do frio que sentia, e assentiu.
Já dentro do veículo, o clima ficou mais leve. Danilo anunciou de repente que ficaria em Riviera para passar o Natal com a filha, aproveitando a rara brecha na agenda.
Surpreso, Vinícius se virou no banco da frente para encarar o pai.
— O senhor vai ficar em Riviera? E quanto a mim?
— Deixe de ser lerdo, rapaz. Se eu fico, é óbvio que você volta. — Retrucou Danilo, sem paciência para a lerdeza do filho.
Vinícius deu de ombros, resignado, e soltou um suspiro teatral.
— Certo, certo. O trabalho sujo sobra sempre para mim, como de costume.
— Preferia que eu deixasse essa responsabilidade para Luana? — Provocou o pai, mantendo a expressão séria.
— Nem pensar. — Respondeu Vinícius de imediato, lançando um olhar carinhoso para Luana pelo retrovisor. — Não tenho coragem de deixar Luana passar por apuros ou sofrer com aquela bagunça.
A interação arrancou um riso sincero de Luana, que aproveitou o momento de descontração para sanar sua curiosidade.
— Pai, afinal, qual é esse problema tão grave que a família Souza está enfrentando?
...
Enquanto isso, em outra parte da cidade, Liliane aguardava há horas na entrada do Residencial Encanto, andando de um lado para o outro, sem sinal da amiga. A espera só terminou quando um carro conhecido parou em frente ao prédio. O vidro desceu lentamente, revelando o rosto impassível de Valentino.
— Srta. Liliane, não precisa mais esperar. — Avisou ele, com sua habitual frieza.
— Estou esperando por ela, não por você. — Retrucou ela, ríspida, cruzando os braços.
Valentino desceu do veículo com calma, ajeitando o paletó.
— Ela está com o pai e o irmão. Se quiser continuar plantada aí, fique à vontade. — Ele passou por ela sem cerimônia, caminhando em direção à portaria do prédio.
— Espere aí! Fique parado onde está! — Gritou Liliane.
Ao ver que ele cessou os passos, ela correu para bloquear seu caminho, encarando-o com fúria nos olhos.
— Professor Valentino, o senhor me deve uma explicação sobre aquela perseguição da última vez. Acha que pode simplesmente me seguir e fingir que nada aconteceu?
— Que explicação você quer? — Valentino estreitou os olhos, sua voz baixando perigosamente. — Sobre o fato de Ricardo ter forjado a própria morte e vocês estarem escondendo isso de Luana deliberadamente?
A acusação direta fez Liliane explodir de indignação.
— Não fale besteira sobre o que você não sabe! Você não tem ideia do que está acontecendo!
— Não preciso saber, e sinceramente, não me importo e não dou a mínima. — Respondeu ele, com uma frieza imperturbável nos olhos, como se discutisse o clima. — Só sei que, se ele fez essa escolha, deveria ter a decência de permanecer morto e não arrastar os outros para sua bagunça.
— Você... — Liliane engasgou com a raiva, sem palavras.
Sem dar chance para réplica, Valentino virou as costas e entrou no elevador a passos largos, deixando-a sozinha e furiosa no saguão.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...