Assim que o filme terminou e as luzes se acenderam, Luana e Ricardo deixaram a sala de cinema. O homem, despindo-se completamente da sua habitual postura inatingível, carregava o paletó dobrado sobre o antebraço e levava a bolsa dela na outra mão. Aos olhos de quem passava pelo corredor, ele personificava a figura do "namorado modelo", atencioso e dedicado.
À medida que caminhavam da penumbra do corredor para a claridade do saguão, Luana diminuiu o passo e virou o rosto para encará-lo, permitindo que uma mecha de cabelo deslizasse suavemente sobre seu ombro.
— Você não detesta comédias? — Questionou ela, com um tom de curiosidade genuína. Na memória de Luana, Ricardo jamais perderia tempo com aquele gênero de filme; era algo que ela tinha como certo.
Ricardo pareceu hesitar por um instante, seus dedos roçando a alça da bolsa num gesto inconsciente de nervosismo.
— Comecei a assistir recentemente. — Respondeu ele, evasivo.
Luana optou pelo silêncio, mas, ao chegarem ao amplo saguão do cinema, algo lhe ocorreu. Ela parou de súbito, forçando-o a estancar também.
— A propósito, o Valentino me contou sobre o atentado contra o Fernando. — Disse ela, observando a reação dele.
O pomo de adão de Ricardo se moveu quando ele engoliu em seco. Ouvir o nome de Valentino naquele momento lhe causava um desconforto irritante, mas ele sabia que não tinha o direito de demonstrar ciúmes.
— Sim, aconteceu na semana passada. — Confirmou ele, com a voz num tom mais grave e contido do que antes.
Sem perceber a tensão sutil nos ombros dele, Luana hesitou por alguns segundos antes de fazer o pedido que a afligia.
— Você poderia... pedir para alguém investigar o paradeiro da Isadora para mim?
Ricardo ergueu os olhos, encontrando o olhar suplicante dela. Naquele instante, qualquer irritação se dissipou. Não havia espaço para recusas quando ela o olhava daquela forma.
— Faço isso agora mesmo. — Garantiu ele, sem desviar o olhar.
A prontidão da resposta pegou Luana desprevenida. Ela esperava resistência ou, no mínimo, perguntas. Para disfarçar a surpresa, fingiu interesse na decoração ao redor até que seus olhos pousaram numa vitrine iluminada a poucos metros dali.
— Ouvi dizer que o bolo de mil folhas daquela doceria é divino. O que acha de experimentarmos? — Sugeriu ela, tentando retomar a leveza do passeio.
Um sorriso discreto curvou os lábios de Ricardo.
— O que você decidir, está ótimo para mim.
Originalmente, ele deveria seguir o roteiro meticuloso sugerido por Liliane para reconquistá-la, mas, ver a espontaneidade de Luana era muito melhor do que qualquer plano traçado. Ele preferia seguir o ritmo dela.
Entraram na doceria, onde o aroma de açúcar e café recém-passado era acolhedor. Encontraram uma mesa vazia junto à janela e, mal se acomodaram, Ricardo sinalizou para o garçom, que se aproximou com o bloco de notas em mãos.
— Um Americano gelado e um Oolong Latte quente, com pouco açúcar, por favor. — Pediu Ricardo com naturalidade, dispensando o cardápio de bebidas.
Luana sentiu os músculos dos braços relaxarem, surpresa com a observação. Quando seus olhares se cruzaram, ela desviou o rosto, fingindo observar o movimento na rua para esconder o desconforto.
— Quem te disse que eu não gosto de doces? — Murmurou ela, na defensiva.
— Eu não te conhecia bem no passado, admito, mas agora há quem te conheça. — Ricardo endireitou a postura, o tom de voz firme e sereno. — E o que eu aprendi agora, vou guardar para sempre.
O garçom retornou, depositando a sobremesa na mesa. O perfume doce e terroso do creme de taro se espalhou entre eles. Luana, embora raramente comesse açúcar, pegou a colher, impulsionada pela curiosidade e pela recomendação dos colegas. Levou uma pequena porção à boca e sentiu a textura cremosa derreter na língua; era doce na medida certa, sem ser enjoativo.
Na verdade, para ela, doces eram todos iguais, mas aquela fatia parecia ter um sabor diferente naquele dia. Ela ergueu os olhos e flagrou Ricardo a observando. Não havia a frieza crítica de antigamente em seu olhar, apenas uma atenção mansa e devota, como se ele estivesse admirando uma obra de arte rara.
Luana desviou o olhar novamente, engolindo o bolo com um nó na garganta. Era estranho. Eles conviveram por seis anos, mas a sensação era a de estar num primeiro encontro às cegas, cheia de incertezas e descobertas tímidas.
Parecendo ler os pensamentos dela, Ricardo sorriu. Pegou a mesma colher que ela havia usado e, sem cerimônia, retirou um pedaço do bolo exatamente no lugar onde ela havia mordido.
Luana parou, a respiração presa, observando-o levar a colher à boca.
— O sabor é realmente muito bom. — Comentou ele, com um brilho sugestivo nos olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...