Com as orelhas ardendo, Luana abaixou a cabeça, fingindo estar ocupada para disfarçar a súbita timidez. O céu escurecia gradativamente e as luzes da cidade começavam a acender, envolvendo a metrópole numa aura quente e luminosa, contrastando com o ar frio que soprava.
Tinham passado o dia inteiro caminhando e, agora, a brisa noturna trazia um frescor gélido que atravessava as roupas finas dela. Percebendo o leve tremor em seus ombros, Ricardo despiu o próprio casaco e o acomodou sobre as costas dela com cuidado.
— Cuidado para não pegar um resfriado. — Murmurou ele, com voz grave.
Luana segurou as lapelas do casaco, sentindo o tecido ainda quente pelo corpo dele. O aroma era uma mistura suave de amaciante com aquele perfume amadeirado que ela conhecia tão bem; um cheiro que, por muito tempo, tentou apagar da memória, mas que agora a envolvia completamente.
Aquele gesto a transportou para o passado, lembrando-se da noite em que fora dopada e quase abusada por Vanessa numa armadilha profissional. Naquela ocasião, era Bernardo quem a levava ao hospital, mas Ricardo, movido por um ciúme possessivo e desagradável, também a cobria com seu casaco, irritado apenas por vê-la próxima de outro homem.
Naquele momento, porém, a atmosfera era diferente. Não havia posse no olhar dele, apenas uma preocupação genuína e palpável.
Observando-a, Ricardo pareceu ler os pensamentos que cruzavam a mente dela. O coração dele apertou, uma dor aguda e difusa, como se fosse perfurado por dezenas de pequenas agulhas. A palavra "desculpa" pairou em sua língua, mas ele a engoliu. Parecia um termo fraco demais para apagar as cicatrizes do passado, e ele temia que trazer o assunto à tona quebrasse a frágil paz daquele momento. Sabia que o caminho para o perdão seria longo e árduo.
— Te levo para casa. — Disse ele, desviando o olhar para dar espaço a ela.
Luana apenas assentiu.
Caminharam lado a lado em direção ao estacionamento, o silêncio entre eles confortável, até passarem por uma floricultura. A dona, uma mulher grávida e sorridente, estava na calçada tentando atrair os últimos clientes do dia e, ao ver o casal, seus olhos brilharam.
— Ei, moça! — Chamou ela, com simpatia. — Hoje é Dia dos Namorados. Que tal pedir para seu namorado levar um buquê?
— Dia dos Namorados? — Repetiram os dois em uníssono, entreolhando-se surpresos.
Luana imaginava que ele soubesse, mas a expressão de genuína confusão no rosto de Ricardo dizia o contrário. Ele tossiu, levando a mão à boca para disfarçar o constrangimento, mas seus olhos já percorriam a vitrine, fixando-se nas rosas mais vibrantes da exposição.
— Quero todas as rosas que você tiver na loja. — Declarou ele, voltando-se para a vendedora.
A mulher piscou, atônita.
— Todas?
Luana também estacou, incrédula.
— Sim, todas. — Confirmou Ricardo, já sacando a carteira com decisão. — Aceita cartão, certo?
Recuperando-se do choque, a vendedora assentiu vigorosamente, o sorriso se alargando.
— Claro! Aceitamos sim!
Enquanto a mulher processava o pagamento, Ricardo pegou uma caneta do bolso e anotou um endereço no bloco de notas do balcão.
Ela caminhou trôpega até o sofá e desabou, como se as pernas tivessem perdido a força.
— Eu devia ter desconfiado quando a Sofia decidiu fundir a Sinar Medical. — Murmurou ela, ligando os pontos com uma clareza tardia. — A Sinar é o legado da vida dela. A família Ferraz poderia estar na ruína, mas Sofia jamais permitiria uma fusão humilhante daquelas se não houvesse um motivo maior.
— Será que a Sra. Sofia sempre soube que o Sr. Ricardo estava vivo? — Sugeriu a assistente, cautelosa.
A pergunta foi como um estalo na mente de Helena. Seu olhar endureceu, tornando-se perverso.
— E que diferença faz agora? Mesmo vivo, ele passou os últimos seis meses sem dar as caras, ignorando o Grupo Ferraz. Se agirmos rápido, podemos tomar tudo antes que ele retorne. O Grupo Ferraz e a Sinar Medical serão nossos.
A assistente baixou a cabeça, escondendo o desconforto diante daquela ambição desmedida, mas permaneceu em silêncio.
Pouco depois, ao sair do escritório, a funcionária correu para a escada de emergência e discou um número conhecido, relatando palavra por palavra o surto de Helena.
Do outro lado da linha, a voz foi calma e direta:
— Continue cooperando com ela. Quero relatórios constantes de cada passo que ela der, mas tenha muito cuidado para não ser descoberta.
— Certo, pode deixar, Fernanda. Vou ter cuidado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...