Quando Luana finalmente chegou em casa, o relógio já marcava nove e meia da noite. Com o rosto ainda corado e o coração acelerado, ela subiu as escadas apressada, tentando evitar qualquer interrogatório, mas acabou dando de cara com Danilo no corredor. O pai, que raramente a via chegar tão tarde, franziu a testa, visivelmente preocupado.
— Luana? Por que chegou só agora, filha? — Indagou ele, analisando a expressão dela.
— Ah... eu acabei comendo um lanche com uns amigos, perdi a noção da hora. — Mentiu ela, coçando a bochecha num gesto nervoso para disfarçar o constrangimento. — E o senhor, pai? Ainda acordado?
— É a insônia, não estou conseguindo pregar o olho. — Suspirou Danilo, decidindo não insistir nas perguntas sobre o atraso da filha. — Vou descer para preparar um chá. Se não tomo uma xícara, parece que o corpo todo fica estranho.
— Chá a essa hora da noite? Não vai tirar ainda mais o seu sono?
— Que nada, já criei imunidade. Na verdade, durmo até melhor depois de uma xícara quente. — Respondeu ele com um sorriso cansado, antes de descer as escadas lentamente.
Observando as costas do pai, Luana percebeu que a "insônia" provavelmente escondia alguma preocupação maior, algum problema que ele preferia guardar para si a incomodá-la. Conhecendo Danilo, ele não abriria a boca tão cedo. Decidiu, então, que sondaria Vinícius no dia seguinte.
...
Na manhã seguinte, Danilo saiu cedo para sua rotina de exercícios, deixando Luana e Vinícius sozinhos à mesa do café da manhã. Aproveitando a oportunidade, ela foi direto ao ponto.
— Vinícius, o pai comentou alguma coisa com você? Aconteceu algum problema recentemente?
O irmão, que passava geleia em uma torrada, parou o movimento e a encarou, curioso.
— Por que a pergunta?
— Ontem à noite, quando cheguei, encontrei com ele no corredor e parecia muito preocupado, com a cabeça longe... — Ela hesitou por alguns segundos, escolhendo as palavras. — Fiquei apreensiva.
Vinícius soltou uma risada breve, como se tivesse entendido a charada.
— Não é exatamente um "problema", Luana. Mas, se existe alguma fonte de dor de cabeça para ele neste momento, essa fonte é... — Ele apontou a faca de manteiga na direção dela. — Você.
— Eu? — Luana arregalou os olhos, confusa.
— O pai não sabe que o Ricardo é o Sr. Luciano. E o vovô botou na cabeça que quer juntar você com o tal "Sr. Luciano" a qualquer custo. O velho está com pressa para estreitar os laços com a família Monteiro e consolidar essa aliança, embora ninguém entenda exatamente o porquê de tanta urgência agora.
Luana permaneceu em silêncio, processando a informação. À primeira vista, os planos do avô pareciam puramente calculistas, colocando os interesses financeiros acima dos laços de sangue. No entanto, ela não conseguia esquecer a tristeza genuína que viu no rosto dele no dia da morte de Yasmin.
Além disso, quando o escândalo de Érica e César veio à tona, se Afonso fosse realmente desalmado, teria descartado o filho como um peso morto para a família Souza. Mas o que ela viu naquele dia foi a raiva de um pai decepcionado, não a frieza de um empresário. Essa dualidade a deixava intrigada sobre o que realmente se passava na mente do patriarca.
Após o café, Luana seguiu para o instituto, chegando pontualmente às dez horas. Ao atravessar o jardim interno, avistou Liliane sentada em um dos bancos. A cunhada falava ao telefone com a cabeça baixa e uma postura desolada que contrastava com o dia ensolarado. Curiosa, Luana se aproximou.
— O que aconteceu, Liliane? — Perguntou, notando a tensão no ar.
Ao ouvir a voz dela, Liliane deu um pulo, desligou o celular abruptamente e se levantou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
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