Luana ergueu o queixo, decidindo bancar a ousada e respondeu com naturalidade:
— É, exatamente isso.
O sorriso nos olhos de Ricardo se aprofundou, tornando-se quase perigoso.
— Fechado.
No entanto, à medida que o carro deslizava pelas ruas em direção ao apartamento dele, o arrependimento começou a bater em Luana.
"O que eu tinha na cabeça?", pensou ela, mordendo o lábio inferior. "Dizer que queria a comida dele é praticamente me entregar de bandeja."
Ela precisava de um plano. A estratégia era simples, que era comer e ir embora imediatamente. Passar a noite lá estava fora de cogitação. Absolutamente impossível.
Ricardo, observando-a pelo canto do olho, notou a batalha interna estampada no rosto dela. A expressão de conflito era adorável. Ele conteve um sorriso vitorioso; não importava o que ela estivesse planejando, ele não daria a menor chance para ela recuar.
Ao chegarem à suíte do hotel onde ele estava hospedado, Luana entrou logo atrás dele, mas estacou na entrada, como se uma barreira invisível a impedisse de avançar.
— Você tem ingredientes aí? — Perguntou, desconfiada.
Ricardo despiu o sobretudo cinza e o pendurou no mancebo com movimentos fluidos. Enquanto desabotoava os punhos da camisa social e dobrava as mangas, revelando os antebraços definidos, respondeu:
— Tenho tudo o que precisamos.
— Então, o que você fizer, eu como. — Disse ela, finalmente decidindo entrar. Luana caminhou até a sala de estar espaçosa, deixou a bolsa no sofá e foi até a imensa janela que ia do chão ao teto. A vista espetacular mostrava as luzes dos arranha-céus próximos brilhando como joias, estendendo-se até a escuridão tranquila das montanhas ao longe.
Ricardo tirou o relógio de pulso, colocou-o sobre o balcão e se dirigiu à cozinha americana. Abriu a geladeira embutida, que estava abastecida com ingredientes de primeira linha, como vegetais orgânicos vibrantes e cortes de Wagyu marmorizados. Estava óbvio que ele havia se preparado para aquela noite.
Luana virou a cabeça discretamente para espiar. Um brilho de satisfação passou por seus olhos. "Homem tem mais é que ser colocado para trabalhar mesmo", pensou ela, achando graça da situação.
Logo, o som de água corrente e o ritmo constante da faca batendo na tábua preencheram o silêncio confortável do apartamento. Os movimentos de Ricardo eram precisos, quase artísticos. Não era a primeira vez que ela o via cozinhar, mas a percepção agora era totalmente diferente. Antigamente, ela o observava através das lentes da dor, sempre se comparando a Vanessa e se sentindo a coadjuvante de uma história de amor não correspondido. Naquela época, não havia prazer, apenas uma admiração triste.
Agora, porém... era o mesmo homem, as mesmas mãos habilidosas, mas o cenário havia mudado. Ela se pegou admirando a cena com um prazer genuíno. Quando Ricardo levantou a cabeça, como se sentisse o peso do olhar dela, Luana se virou rapidamente para a janela, fingindo um interesse repentino na arquitetura noturna da cidade.
Minutos depois, Ricardo serviu o jantar.
— Está pronto.
Luana se aproximou da mesa. Havia dois pratos fumegantes de arroz frito com cubos de filé mignon e abacaxi, acompanhados por um creme de cogumelos aveludado. A apresentação era impecável, digna de um chef. A iluminação indireta da sala, em tons quentes, contrastava com o azul noturno lá fora, criando uma atmosfera intimista e perigosamente romântica.
Ricardo puxou a cadeira para ela, num gesto teatral.
— Minha rainha, por favor, sente-se.
Luana revirou os olhos, mas não conseguiu conter um leve sorriso ao se sentar.
— Quanta lábia... — Resmungou, tentando manter a fachada de durona.
Ela forçou um sorriso inocente e se virou.
— O que foi?
— É perigoso pegar táxi ou aplicativo a essa hora. Eu te levo.
Luana piscou, surpresa, pensando:
"Tão cavalheiro assim? Ele não vai nem tentar me fazer ficar?"
Antes que ela pudesse processar aquela atitude inesperadamente respeitosa, Ricardo já estava no hall de entrada, pegando o sobretudo. Luana baixou os olhos, sentindo uma pontada estranha de desapontamento misturada com alívio. Era a primeira vez que ele agia de forma tão correta.
Ela caminhou até ele, pronta para sair. No entanto, no instante em que passou por ele, a atmosfera mudou.
Ricardo fechou a porta com um clique suave, bloqueando a saída. Num movimento rápido e fluido, ele a segurou pela cintura e a ergueu com um braço só, sentando-a sobre o balcão de mármore do hall de entrada.
Luana arfou, pega de surpresa, suas pernas instintivamente se abrindo para acomodar o corpo dele que avançou para o meio delas, prendendo-a ali.
Ele segurou o queixo dela com delicadeza, obrigando-a a encará-lo. Seus olhos estavam escuros, intensos.
— Você comeu, agora quer ir embora... — Sussurrou ele, aproximando o rosto do dela até que suas respirações se misturassem. — Justo. Mas eu preciso cobrar os juros pelo jantar.
Os cílios de Luana tremeram. Antes que ela pudesse formular qualquer protesto, ou concordância, Ricardo tomou seus lábios num beijo sôfrego, úmido e possessivo, desfazendo qualquer pensamento racional que ainda restasse nela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...