Luana e Ricardo entraram em casa um atrás do outro.
Sem sequer lançar um olhar para o homem que a seguia, ela tirou os sapatos com movimentos rápidos e foi direto para o quarto.
No closet, pegou algumas roupas e, sem hesitar, dirigiu-se ao quarto de hóspedes ao lado.
Ricardo, que estava na cozinha servindo um copo de água, viu a cena de relance. Não fez nenhum comentário, mas os olhos o seguiram até perderem sua figura de vista. Poucos segundos depois, ouviu o som nítido da porta sendo trancada.
A pressão de sua mão contra o copo de vidro aumentou. Seu rosto permaneceu sem expressão definida, mas a tensão nos músculos denunciava um incômodo silencioso.
Quando foi, exatamente, que ela passou a erguer barreiras contra ele?
Naquele momento, o toque do celular interrompeu seus pensamentos. Na tela, o nome de Miguel piscava.
...
Na manhã seguinte, Luana pediu meio período de folga no trabalho. Chegou ao hospital apenas no início da tarde. Assim que ultrapassou as portas do saguão principal, uma mulher de meia-idade avançou em sua direção com passos apressados. Antes mesmo de qualquer palavra, a mão da desconhecida lhe acertou o rosto num estalo seco.
Atônita, Luana recuou um passo. Porém, antes que pudesse reagir, a mulher agarrou sua gola com força, os olhos incendiados de raiva.
— Sua vagabunda! Teve coragem de seduzir meu marido?
— Senhora, há algum engano? — Luana a empurrou com firmeza para criar distância. — Eu nunca vi seu marido. Quem te deu o direito de me difamar assim, ainda por cima num lugar público?
Ignorando a defesa, a mulher sacou uma fotografia amassada da bolsa e praticamente a enfiou no rosto de Luana.
— Este é o Pedro! Ele é meu marido! Vocês trabalham no mesmo hospital, e ainda ousa dizer que não o conhece?
Luana franziu o cenho, confusa.
— O senhor Pedro?
— Vagabunda! Agora faz sentido ele passar cada vez menos tempo em casa. Estava sustentando você como amante! — Gritou a mulher, avançando para agredi-la novamente.
Porém, antes que pudesse encostar outra vez, dois seguranças já haviam chegado para contê-la.
Foi naquele instante que Vanessa e o próprio Pedro surgiram na cena tumultuada.
— Se ela se envolveu com ele, o marido dela não deve ser grande coisa. Talvez seja por isso que nunca aparece no hospital.
— Se eu soubesse que ela tinha chance com ele, talvez tivesse tentado também. Quem sabe?
Cada comentário atravessava o coração de Luana como agulhas afiadas, atingindo-a não só na reputação, mas ferindo seu orgulho e dignidade.
Ela fechou os punhos ao lado do corpo, sentindo o frio invadir seu olhar.
— Sr. Pedro, o senhor diz que seduzi você. Então diga diante de todos. Como eu te seduzi? E onde exatamente isso aconteceu?
— Eu… — Pedro engasgou com a pergunta, a hesitação visível. Por pouco não se denunciou. — Esse tipo de coisa precisa mesmo ser dito em público? Você não sente vergonha?
— Dra. Luana, isso envolve sua reputação. — Interveio Vanessa, adotando um tom aparentemente compreensivo. — Já que todos estão aqui, talvez seja melhor resolverem isso em particular. Assim evitamos mais constrangimento para a senhora.
O tom soava como preocupação genuína, mas nas entrelinhas carregava a insinuação de que Luana era culpada. Se aceitasse resolver em particular, seria como assinar a confissão de que era realmente a amante.
— Resolver em particular? — Luana soltou uma breve risada. — Quem não deve, não teme. É melhor esclarecer tudo agora, na frente de todos. Do contrário, vou continuar carregando uma acusação absurda de ser amante, sem nem saber de onde isso surgiu!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...