Ricardo entrou no quarto no exato momento em que Luana levava um comprimido à boca.
Ela não esperava a presença dele e, num reflexo quase instintivo, puxou o frasco e o escondeu rapidamente.
Ele avançou sem hesitar, segurou o pulso dela com força suficiente para fazê-la encolher e lançou um olhar carregado de autoridade e frieza para ela.
— O que você está escondendo?
A dor a fez estremecer; mesmo assim, ela tentou soltar o braço.
— Me solta.
A voz dele veio cortante, sem qualquer espaço para fuga:
— Foi você que colocou alguma droga na minha bebida?
Aquela acusação atravessou o coração dela como uma lâmina. Um riso breve e carregado de indignação escapou de seus lábios.
— Ricardo, você realmente acha que fui eu? Que eu teria algum prazer doentio em fazer isso com você e comigo também?
No fundo, Ricardo já conhecia a resposta. Não acreditava de fato que Luana tivesse feito aquilo. O que o irritava era a maneira como ela o desafiava, sem baixar a cabeça.
— Quem garante? — Ele provocou, com um meio-sorriso de puro desprezo. — Talvez o seu plano fosse engravidar de mim.
Cada palavra carregada de escárnio pesava mais do que qualquer acusação.
Respirando fundo, Luana abriu a mão e revelou o frasco de pílulas anticoncepcionais.
— Infelizmente para você, não pretendo engravidar.
Ao ler o rótulo, Ricardo sentiu o sangue ferver nos olhos. Os dedos dele se fecharam ainda mais em torno do pulso dela antes que pronunciasse, palavra por palavra:
— Você é mesmo cruel.
Soltou-a bruscamente e saiu, fechando a porta com um estrondo.
Na escada, Anabela, que espreitava, recuou um passo para não ser vista. Ao notar a expressão carregada de Ricardo, um sorriso de satisfação se formou em seu rosto.
"Agora, com certeza, a Luana está chorando no quarto. Bem feito! Este é o fim de quem se humilha por amor.", pensou, saboreando a própria malícia.
...
Luana passou a noite na mansão. Na manhã seguinte, foi até o jardim para se despedir de Sofia.
Airando lentamente as contas do rosário, Sofia pediu que Linda trouxesse chá e a encarou com tranquilidade, mas de forma penetrante.
— Tem certeza de que quer mesmo se divorciar do Ricardo?
— Vovó, minha decisão não vai mudar. — Respondeu Luana, sem hesitar.
Nem mesmo o que havia acontecido na noite anterior a faria retroceder. Independentemente de quem tivesse drogado Ricardo, o divórcio já estava decidido em sua mente.


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