— Não. — Vinícius respondeu sem o menor vestígio de hesitação, com a voz carregada de uma gravidade absoluta. — O que quero dizer é que os nossos caminhos são muito diferentes, e não estamos do mesmo lado.
Diante daquela resposta, Carlos ficou paralisada, observando o rosto dele em um silêncio atônito.
— Consigo compreender todo esse ódio que você carrega, mas não posso concordar com os meios que escolheu para agir. — Vinícius continuou a falar, sustentando o olhar da garota. — Além do mais, eu também carrego o sobrenome Souza. Por acaso a família Souza não é também a minha casa?
As mãos de Carlos, soltas ao lado do corpo, fecharam-se em punhos cerrados. Ela mordeu o lábio inferior com força, lutando contra o turbilhão de emoções, e demorou bastante tempo até conseguir formular uma resposta.
— E se você estivesse no meu lugar? — Ela disparou. — Se fosse a sua irmã Luana que tivesse passado por tudo o que eu passei, o que você faria hoje?
Ele ponderou por alguns segundos, avaliando o peso daquela pergunta antes de responder com firmeza:
— Eu faria com que os culpados pagassem pelos seus crimes, mas jamais tiraria a vida de alguém.
O ambiente foi tomado por um silêncio pesado e sufocante, até que Carlos soltou uma risada ríspida, cheia de escárnio. Ela virou o rosto para disfarçar os olhos marejados, enquanto uma constatação dolorosa ganhava cada vez mais clareza em sua mente.
No fundo, ela já esperava por aquele desfecho. O Vinícius que ela conhecia sempre era dono de uma moral inabalável, e seria impossível que ele apoiasse as suas atitudes. Se ele passasse para o lado dela, perderia a própria essência e deixaria de ser o homem íntegro que era. Ainda assim, uma parte oculta de seu coração alimentava a tola esperança de que ele pudesse ficar ao seu lado por um breve instante, nem que fosse apenas para enganá-la e ganhar a sua confiança.
Evitando olhar na direção dele, Carlos engoliu todo o ressentimento e assumiu uma postura fria.
— Vá embora. — Ela ordenou com indiferença.
Mas ele continuou parado, imóvel em seu lugar.
— Vai logo! — Ela esbravejou, perdendo o controle e deixando a fúria transparecer. — Não preciso mais de você!
Vinícius piscou devagar e fixou o olhar nela mais uma vez, proferindo cada palavra com uma calma dolorosa.
— Você ainda tem a chance de consertar as coisas. Volte atrás, Carlos.
— Sai daqui! — Ela gritou enfurecida, varrendo tudo o que estava sobre a mesa de centro com um golpe brusco e violento.
O estrondo dos objetos se espatifando no chão foi tão grande que atraiu o mordomo às pressas para a sala. Ao se deparar com a desordem espalhada pelo tapete, o funcionário ficou aturdido, sem saber como reagir.
Diante daquela cena caótica, Vinícius percebeu que não havia mais nada a ser dito e deu as costas, caminhando em direção à saída.
Assim que chegou à sala de estar ampla e bem iluminada, um dos seguranças se aproximou dele de forma discreta e sussurrou:
— O senhor Emanuel mandou lembranças.
Vinícius entendeu a mensagem no mesmo instante em que aquele homem era um informante infiltrado por Emanuel.
— Você não trabalhava para Carlos? — Ele indagou em voz baixa.
O capanga abriu um sorriso sem graça, justificando a sua posição ali dentro.
— Eu agora presto contas ao senhor Emanuel, mas finjo receber ordens do senhor Carlos para manter as aparências. Saber que o senhor está a salvo vai deixar o senhor Emanuel e o senhor Danilo muito aliviados.
Vinícius parou perto da escada, esperando que o segurança se aproximasse um pouco mais para dar o seu recado.
— Diga a eles que não precisam se preocupar comigo por enquanto, pois eu pretendo ficar aqui por mais um tempo.
— O senhor não vai embora? — O homem arregalou os olhos, confuso com a decisão.
Afonso fechou os olhos com força, afundando na própria dor por um instante. Quando voltou a abri-los, o seu rosto exibia apenas uma determinação implacável e serena.
— Uma vida se paga com outra vida. — Ele sentenciou com secura.
...
Em outra parte da cidade.
Luana estava imersa em suas tarefas no instituto de pesquisa quando recebeu a mensagem do pai. Ao ler que Vinícius havia escolhido permanecer ao lado de Carlos de forma voluntária, ela ficou estagnada por alguns segundos, processando a informação.
A angústia que a consumia havia sumido desde o momento em que teve a certeza de que Carlos não machucaria Vinícius, mas a notícia de que ele preferia continuar no território inimigo a deixou intrigada. Aquela atitude fugia de qualquer lógica, e ela não conseguia decifrar quais eram as verdadeiras intenções dele.
Liliane passava por ali carregando uma pilha de documentos e, notando a distração dela, inclinou-se com um sorriso travesso.
— Você não está de papinho romântico com o Ricardo de novo, não é?
Luana guardou o celular e deu um tapinha leve na testa dela.
— Por que você gosta tanto de fuxicar a nossa vida, hein?
A pergunta pegou Liliane de surpresa. Ela engoliu em seco ao se lembrar do constrangimento da última vez, sentindo o rosto esquentar de vergonha.
— Você sabe muito bem que sou a informante secreta do Ricardo! — Ela se defendeu, toda sem jeito.
Brincadeiras à parte, Liliane torcia com muita sinceridade pela felicidade do casal. O seu maior desejo era que o romance de Luana e Ricardo se tornasse muito sólido, forte o bastante para que nenhuma adversidade fosse capaz de separá-los.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...