Ricardo se sentou no sofá, acomodando-se em seu próprio ritmo. No exato instante em que seu olhar ameaçou descer para a superfície da mesa, Luana se antecipou e sentou no colo dele com a maior naturalidade do mundo. A ação inteira se desenrolou num solavanco inesperado.
A surpresa tomou conta de Ricardo. Ele a encarou, os olhos escuros transbordando questionamentos e confusão.
— Eu tropecei e caí aqui. Você acredita em mim? — Ela forçou um sorriso, o rosto tenso tentando disfarçar o nervosismo da situação.
Ele estreitou os olhos. Após um longo tempo de silêncio, soltou as palavras em tom arrastado:
— Eu acredito.
A respiração de Luana falhou por um instante, deixando-a sem reação.
— Não precisa nem dizer que escorregou. Se você caísse do céu direto nos meus braços, eu ainda acreditaria. — O tom dele carregava uma ironia tão séria que Luana precisou fingir indignação.
Ela fez menção de levantar para arrumar a bagunça na mesa, mas ele a puxou de volta. Num abraço que misturava força e sutileza, a mão de Ricardo acabou repousando sobre a barriga dela. Luana prendeu a respiração, congelando no lugar até ouvir a voz curiosa dele sussurrar em seu ouvido:
— Você parece estar com a barriga um pouco mais cheinha.
Um calafrio percorreu o corpo dela. Ela puxou o ar, encolhendo a barriga de imediato, e virou o rosto para encará-lo com falsa irritação.
— Está me chamando de gorda?
As rugas de expressão ao redor dos olhos de Ricardo se aprofundaram num sorriso contido.
— Foi só um comentário sem maldade. Para que tanta braveza?
— Nenhuma mulher gosta de ouvir comentários sobre o próprio peso. Será que você não entende o básico do universo feminino? — Aproveitando a brecha, Luana se desvencilhou do abraço com um ar ofendido.
O truque funcionou e desviou a atenção do homem. Enquanto fingia organizar as coisas, ela amassou o teste de gravidez e o empurrou para o fundo da lixeira sem fazer alarde.
Após terminar o serviço, ela lançou um olhar furtivo para ele.
"Ainda bem, ele não notou nada.", pensou ela, tomada pelo alívio. Em seguida, empurrou a lixeira para debaixo da mesa com a ponta do pé e mudou de assunto, quebrando o clima de tensão.
— Queria agradecer pela ajuda de ontem.
Ela se referia ao episódio caótico em que os repórteres a haviam encurralado na rua.
— Se quiser mesmo me agradecer, seja minha acompanhante num evento beneficente amanhã à noite. — Ele se levantou sem pressa, ajeitando a postura do paletó. — A Helena também estará lá.
...
Assim que Sebastião levou Wellington para a delegacia, já previa a traição do homem. Como esperado, o informante mudou a versão da história e entregou a gravação aos policiais, numa tentativa desesperada de inverter o jogo.
O choque de Wellington foi nítido quando a verdade veio à tona.
— Vocês... Vocês gravaram a conversa? — Gaguejou ele, o rosto perdendo a cor.
— Sabendo da sua falta de caráter, eu seria um tolo se não gravasse. — Sebastião deu de ombros, esbanjando uma tranquilidade inabalável.
— Agradeço a compreensão. — Sebastião guardou a carteira e aproveitou para sondar a situação. — A propósito, o quadro desse sujeito é muito complicado?
— Vai depender do desenrolar dos fatos. Se a relação dele com a vítima for consensual, a polícia fica de mãos atadas para agir por conta própria. Afinal, a garota já passou dos quatorze anos. Nesse caso, a família dela teria que entrar com uma representação na Justiça.
— Entendo. — Sebastião assimilou a informação e abriu um sorriso diplomático. — Perfeito. Bom, já que a inocência do Luiz ficou provada, seria bom liberá-lo o quanto antes. A família está sofrendo demais com essa espera interminável.
— Com toda a certeza. Trataremos disso agora mesmo.
De volta à base, Sebastião relatou cada detalhe dos acontecimentos para Luana. Ela já imaginava a covardia de Wellington e, por isso, havia planejado a gravação com antecedência. Aquele áudio talvez não servisse como prova irrefutável num tribunal, mas seria a faísca necessária para a polícia iniciar uma investigação séria.
A patente militar de Sebastião acabou sendo o atalho perfeito para dar peso à denúncia. Os policiais, em respeito à posição dele, fariam uma varredura completa.
— Sra. Luana, qual é o próximo passo? — Indagou Sebastião.
Ela franziu a testa, o ressentimento brilhando no olhar impaciente.
— O Wellington apunhalou meu irmão pelas costas. O Luiz sofreu um linchamento virtual absurdo durante todos esses dias por culpa dele. Deixar esse canalha apodrecer na cadeia por duas semanas é um prêmio muito pequeno. E pior ainda, é um prêmio para a Helena.
Sebastião a encarou, já adivinhando as intenções ousadas da patroa.
— Não me diga que a senhora quer...
— Amanhã cedo, você vai comigo até a casa daquela garota. — Determinou ela, encerrando a conversa de vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...