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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 719

Bernardo fugiu do olhar analítico dela, deixando escapar uma risada amarga e cheia de autodepreciação.

— Você acha mesmo que eu fui implacável? A única coisa que fiz foi deixar que ela colhesse o que plantou. — Ele ergueu o rosto devagar, sustentando o olhar de Luana com uma intensidade sombria. — A Anabela é farinha do mesmo saco que os pais dela. Uma pessoa interesseira, que só se aproxima de quem tem poder e dinheiro. Você mesma foi testemunha do tipo de jogo sujo que aquela família é capaz de fazer!

— Não estou aqui para defender o caráter dela. — Rebateu Luana. O seu rosto permanecia como uma máscara de tranquilidade, sem demonstrar qualquer alteração de humor. — Vi muito bem do que a família dela é capaz. Assim como também vi do que a sua família é capaz.

Bernardo engoliu em seco, mergulhando em um silêncio constrangedor. Ele não tinha como negar as atitudes questionáveis que a sua própria família havia tomado ao longo dos anos.

— Bernardo, não vou ser injusta. Você me estendeu a mão no passado quando eu precisei. E, independente de as suas intenções terem sido verdadeiras ou não, aquela ajuda fez diferença na minha vida. — Luana piscou devagar, mantendo o tom de voz neutro e distante. — Houve um tempo em que eu era muito grata a você. Mas, depois do que aconteceu naquele dia, qualquer dívida que existisse entre nós foi apagada. Não te devo mais nada.

— Agi por impulso naquele dia, Luana! Eu juro por Deus que nunca tive a intenção de... — Ele tentou se justificar, com o desespero transparecendo na voz.

Luana ergueu a mão, cortando a frase dele pela metade com um gesto autoritário.

— Não me importam os seus motivos, nada justifica o que você fez. Estou grávida, Bernardo. Se a sua atitude impensada tivesse causado a perda do meu filho, eu juro que teria acabado com a sua vida.

A revelação caiu como uma bomba. Bernardo arregalou os olhos, atordoado por inteiro.

Ela estava esperando um filho?

— A sua mãe tentou me prender em uma chantagem emocional hoje, achando que a nossa antiga amizade seria motivo suficiente para eu ceder. Mas que fique claro, esta é a primeira e última vez que faço isso. — O olhar de Luana se tornou ainda mais afiado. — O único motivo de eu ter pisado neste quarto foi para te fazer uma pergunta. É claro que, se você não quiser abrir a boca, não vou perder o meu tempo insistindo.

— O que você quer saber? — Perguntou ele, recuperando-se do choque inicial.

Qualquer faísca de esperança que ainda existisse dentro dele havia se apagado. A dura realidade estava bem ali, escancarada na sua frente.

— Aquele acidente terrível envolvendo a vovó Sofia e a senhora Amanda... Você teve algum envolvimento naquilo?

A pergunta direta fez o coração de Bernardo falhar uma batida. Ele abaixou os olhos, o peso da culpa e da tristeza esmagando os seus ombros, e soltou uma risada fraca e desolada.

— Eu não tive nada a ver com aquilo. Mas a verdadeira questão é, você acredita em mim?

— E eu, por outro lado, jamais imaginei que a senhora ainda estivesse viva para contar história.

A história por trás daquele encontro era antiga e cheia de cicatrizes.

Glória era irmã de Benjamin Fonseca e, por consequência, a mãe biológica de Janice. Benjamin, por sua vez, havia sido um dos grandes amigos de Rafael, o falecido avô de Ricardo.

No passado, Glória e Rafael viveram um romance ardente que resultou em uma gravidez inesperada. No entanto, assim que a notícia da gestação veio à tona, Rafael desapareceu sem deixar rastros. Quando Glória voltou a ter notícias do amante, ele já estava casado com outra mulher.

Abandonada e grávida, ela viu o seu mundo desmoronar. O ressentimento por ter sido trocada criou raízes profundas no seu coração, transformando-se em um ódio que ela alimentou por décadas. Foi essa amargura que a fez jurar nunca se casar. Ela nutria um desprezo visceral pela família Ferraz, em especial pelos homens que carregavam aquele sobrenome.

Aquele rancor era tão cego que acabou respingando na própria filha. Janice cresceu sem conhecer o afeto materno. Poucos anos após o parto, a menina foi entregue aos cuidados de babás, e os encontros com a mãe biológica podiam ser contados nos dedos de uma mão. Foi apenas quando a velha babá que a criou faleceu que Glória reapareceu na vida da filha, apenas para arranjar um casamento por conveniência, obrigando Janice a se unir à família Marques.

A ascensão de José no mundo dos negócios só havia sido possível graças ao forte apoio financeiro e à influência de Benjamin. Era justo por essa dívida de gratidão que José tratava Glória com tanta reverência e submissão.

— Confesso que também me surpreendo por ter chegado a esta idade. — Continuou Glória, virando o rosto para trocar um olhar cúmplice com José. Uma risada seca escapou dos seus lábios antes de ela voltar a encarar Ricardo. — É uma pena que aquele velho desgraçado não tenha chegado nem aos cinquenta anos. Mas isso é o que chamamos de justiça divina. Até mesmo Deus achou que ele já tinha feito estrago demais. Foi um verdadeiro desperdício a sua avó ter passado tantos anos vestindo o luto por um homem como ele.

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