José compreendeu com clareza a indireta carregada de ressentimento, mas preferiu manter o silêncio, ciente de que qualquer palavra seria inútil naquele momento.
— Lola, minha querida, você não vivia dizendo que tinha vontade de conhecer Oeiras? — Perguntou Glória, virando-se para a mulher ruiva ao seu lado. O olhar da senhora, antes frio, agora transbordava um afeto genuíno. — Aproveite que estamos aqui e fique o tempo que desejar.
Embora tivesse traços estrangeiros marcantes, Lola falava o idioma local com uma fluência impecável.
— A decisão é toda sua, mãe. O tempo que a senhora decidir ficar, vou ficar ao seu lado. — Respondeu ela, com um sorriso doce.
— Ela é... sua filha? — Indagou José, incapaz de disfarçar a surpresa que tomou conta do seu rosto.
Glória acariciou as costas da mão da jovem com uma ternura maternal, suspirando de leve.
— É verdade que não compartilhamos o mesmo sangue, mas fui eu quem a viu crescer e se tornar essa mulher maravilhosa. Se ela me chama de mãe com tanto amor, então é claro que é minha filha.
Enquanto isso, do outro lado do centro histórico, Luana e Ricardo deixavam uma charmosa loja de antiguidades. O clima leve do passeio foi interrompido pelo toque do celular dele. Ao ler a mensagem de Fernanda na tela, Ricardo soube que a trégua havia acabado e era hora de voltar aos negócios.
— Aconteceu alguma coisa? Você já precisa ir? — Perguntou Luana, parando de caminhar e se virando para encará-lo.
— Sim, infelizmente. — Ele guardou o aparelho no bolso do paletó, assumindo uma postura mais séria. — O compromisso de hoje é de extrema importância e não posso adiar.
— Mais importante do que eu? — Provocou ela, deixando a pergunta escapar em um tom de brincadeira, embora houvesse uma ponta de curiosidade autêntica.
Percebendo que ele havia ficado sem reação, pego de surpresa pela ousadia, Luana tratou de consertar a situação com um sorriso descontraído.
— É brincadeira, Ricardo! Não precisa fazer essa cara. Não sou do tipo que faz drama à toa. Se é algo tão crucial para você, é claro que precisa ir resolver. Pode ir tranquilo.
— Vou pedir para o Sebastião vir te buscar e te levar em segurança. — Disse ele, a voz soando um pouco mais grave do que o normal.
Luana concordou com um aceno de cabeça. Os dois se despediram perto de uma das saídas principais da feira de artesanato. Ela ficou parada na calçada, observando o carro de Ricardo desaparecer no trânsito agitado. Quando se viu sozinha, abaixou a cabeça e abriu a galeria do celular. Havia mais de dez fotos recentes, e em todas elas o rosto dele era o destaque.
Um aperto confuso tomou conta do seu peito, enquanto uma verdadeira batalha travava-se em sua mente.
Quando Bernardo ergueu os olhos e viu quem estava ali, ficou paralisado. Apoiando-se nas grades da cama, ele fez um esforço para se sentar. Uma alegria genuína iluminou o seu rosto abatido, mas logo deu lugar à confusão.
Como ela sabia que ele estava internado? E, mesmo sabendo, por que se daria ao trabalho de visitá-lo depois de tudo o que aconteceu?
— Bernardo, querido, vou deixar vocês conversarem à vontade. Vou até a lanchonete ver o que tem para o jantar. — Anunciou Janice, em um tom suave, retirando-se do quarto para dar privacidade aos dois.
Assim que a porta se fechou, Bernardo juntou as peças do quebra-cabeça.
— Foi a minha mãe que te pediu para vir, não foi? — Ele soltou um suspiro pesado, desviando o olhar. — Você não precisava ter aceitado. Sei que não me deve nada.
— É verdade que ela me procurou. Mas eu só vim porque também tinha interesse em te ver. — Esclareceu Luana, caminhando a passos firmes até o centro do quarto.
Ele piscou, surpreso, e voltou a encará-la. Luana abriu um sorriso contido, sem muito calor.
— Quando a Naiara morreu, a minha primeira impressão foi de que você estava fazendo de tudo para proteger a Anabela. Mas confesso que me surpreendi. Não imaginava que você seria capaz de ser tão implacável com ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...