Danilo ficou surpreso ao ouvir aquilo. Ele dobrou o jornal que tinha nas mãos com calma, encostou-se na cadeira e perguntou:
— Como assim viajar para o exterior de uma hora para outra, minha filha?
Luana explicou em detalhes sobre a oportunidade no Instituto de Pesquisa Médica Solaris. Notando a sombra de preocupação no olhar do pai, ela tentou tranquilizá-lo e completou:
— Serão apenas três meses, pai. Passa rápido.
Danilo olhou para ela com uma expressão grave e cheia de carinho, suspirando antes de falar.
— A questão não é o tempo que você vai ficar fora. Você está grávida, Luana. Como acha que vou conseguir dormir em paz sabendo que a minha filha está sozinha num país estranho?
Luana abriu a boca para argumentar, mas o pai ergueu a mão para interromper a fala.
— Sei que você está fazendo isso pela sua mãe, e também entendo que é uma chance de ouro para a sua carreira. É óbvio que não vou cortar as suas asas. Mas, se você faz tanta questão de ir para Solaris, o Vinícius tem que ir junto com você para te fazer companhia.
Ela piscou, surpresa com a condição imposta.
— Mas e a empresa?
Danilo endireitou a postura, assumindo um ar de falsa indignação ao responder:
— Estou aqui para quê? Ainda não morri, sabia? Acho que ainda dou conta de administrar os negócios da família.
Rindo, Luana se sentou mais perto dele e segurou seu braço com afeto.
— Que conversa de morte é essa, pai? O senhor ainda vai viver muitos e muitos anos.
Danilo acenou com a mão, dispensando o exagero, e virou o rosto para encará-la com seriedade mais uma vez.
— Não preciso chegar aos cem anos, só quero paz até o fim da vida. E então? Estamos combinados que o seu irmão vai com você?
Ela abriu um sorriso largo, cedendo à preocupação paterna.
— Se o senhor faz tanta questão, quem sou eu para contrariar? O Vinícius vai comigo.
...
Não demorou para que Vinícius recebesse a ligação do pai. Ao ouvir o plano, o rapaz aceitou a missão de bom grado. Sem perder tempo, ele organizou sua agenda e tirou três meses de licença do trabalho.
Quando Vitor soube do longo período de afastamento do chefe, a pasta de documentos que segurava escorregou e bateu com força na mesa. O assistente o encarou com os olhos arregalados, quase em pânico e exclamou:
— Sr. Vinícius, o senhor só pode estar brincando comigo. Três meses? A empresa está cheia de problemas para resolver. Não vou dar conta de segurar essa barra sozinho, não.
Vinícius pegou o paletó que estava pendurado na cadeira e o vestiu sem o menor traço de pressa.
— Meu pai vai assumir o controle, não precisa de tanto drama. Se aparecer alguma coisa muito complicada, é só levar para ele assinar. Três meses passam voando, você vai ver.
Vitor recolheu os papéis espalhados e resmungou com um bico.
— O senhor não era assim antes.
O chefe parou e o encarou com curiosidade, questionando em seguida:
— E como é que eu era?
Danilo e a esposa mal tinham fechado a porta de casa quando o barulho de pneus no cascalho chamou a atenção deles. O patriarca olhou pela janela, imaginando que os filhos tivessem esquecido algo, mas franziu a testa ao reconhecer um veículo bem diferente estacionando na sua porta.
Ricardo desceu do carro com sua postura imponente de sempre. Ele ajeitou a gola do sobretudo num gesto contido e acompanhou a funcionária, caminhando a passos firmes até a entrada da residência.
Prevendo o peso da conversa, Danilo pediu que a esposa subisse para o quarto. Ele se sentou na sala de estar, cruzando as mãos sobre as pernas. Segundos depois, a empregada surgiu no ambiente, trazendo Ricardo.
Sem pressa para se acomodar, o rapaz fez um leve aceno com a cabeça em sinal de respeito e cumprimentou:
— Senhor Danilo.
O mais velho estreitou os olhos e perguntou:
— O que você veio fazer aqui?
Ricardo manteve o tom de voz calmo, demonstrando uma postura de pura redenção ao responder:
— Vim pedir desculpas. Tive imprevistos muito graves no dia do noivado e não pude comparecer. Seja qual for o motivo, falhei em não avisar a tempo e sei que causei um enorme constrangimento para a família de vocês.
Danilo apontou para a poltrona em frente. Assim que o visitante se acomodou, ele soltou uma risada amarga, carregada de frustração, e atacou sem pena:
— Ah, então você ainda lembra que precisa se explicar? Se a Luana não tivesse pensado rápido e transformado aquela festa no noivado do Roberto com a Rita, a nossa família teria virado chacota. A minha filha seria o principal motivo de piada em Macondo!
Ricardo abaixou o olhar, assumindo a culpa sem tentar criar desculpas vazias.
— Toda a responsabilidade é minha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...