Danilo soltou um suspiro longo e pesado, organizando as xícaras sobre a mesa de centro. O mordomo, atento à situação, aproximou-se com o bule e serviu café quente para os dois. Danilo bebeu um gole e cedeu:
— Tudo bem, isso já é passado. Já que você teve a hombridade de vir até aqui, não vou ficar remoendo o assunto.
Ele pousou a xícara no pires e completou:
— O problema é que você chegou tarde. A minha filha acabou de sair de viagem.
O corpo de Ricardo enrijeceu por uma fração de segundo, um detalhe quase imperceptível. Ele pegou sua xícara com movimentos calculados e respondeu:
— Na verdade, eu vim aqui hoje por um outro motivo.
Danilo ergueu as sobrancelhas, confuso com a resposta, e indagou:
— E o que seria?
Ricardo foi direto ao ponto.
— A Luana está grávida, não está?
O impacto da pergunta fez com que Danilo quase engasgasse com a bebida. Ele teve um acesso de tosse e, ao se recuperar, percebeu que Ricardo já oferecia um guardanapo de papel.
"Puxa, como ele é prestativo.", ironizou Danilo, em pensamento.
Ele limpou algumas gotas que haviam caído na mesa e voltou a encarar o visitante. Vendo a tensão nos ombros de Ricardo e a expectativa no fundo dos seus olhos, Danilo sentiu que não conseguiria sustentar uma mentira.
— Pelo visto, você não é tão lerdo quanto parece.
Ricardo apertou a asa da xícara com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Seu peito subiu e desceu com a respiração acelerada.
"Ela de fato está esperando um filho meu.", constatou ele, em silêncio, sentindo uma avalanche de emoções.
Ricardo tentou manter a voz firme ao perguntar:
— De quanto tempo ela está?
Danilo se recostou no sofá com uma expressão dura e resmungou:
— Ela descobriu por acaso, logo naquela época em que foi atrás de você em Oeiras. Se ela não tivesse escondido a gravidez, sabe Deus se esse bebê ainda estaria vivo no meio daquela confusão toda.
Ricardo ficou num silêncio absoluto. A culpa o devorava por não ter percebido nada, por ter sido tão cego aos sinais. Porém, no fundo de seu coração, um alívio imenso ganhava espaço.
"Graças a Deus ela escondeu.", pensou ele. "Pelo menos eu não arrastei nem ela nem o bebê para o meio daquele inferno."
O motorista aguardava na rua, encostado na lataria. Ao ver o chefe saindo da mansão com o semblante indecifrável, ele se apressou em abrir a porta de trás e perguntou com curiosidade:
— A Sra. Luana não vem com o senhor?
Ricardo entrou no veículo, ajeitando-se no banco de couro antes de avisar:
— Chegamos tarde demais.
O funcionário deu a volta e assumiu o volante, olhando pelo retrovisor para fazer outra pergunta:
— E para onde a gente vai agora, chefe?
O olhar de Ricardo se perdeu na paisagem através do vidro fumê do carro e ele ordenou:
— Me leva para o Hotel Grand.
...
Os irmãos desembarcaram no Aeroporto de Nova Aurora, em Solaris, no início da tarde, por volta da uma hora. Assim que passaram pelo saguão de desembarque com as malas, pegaram um táxi em direção ao hotel que haviam reservado na região central da cidade.
No momento em que abriu a porta do quarto, Luana soltou um suspiro de alívio. Ela se jogou de costas na cama enorme, esticando braços e pernas como se quisesse abraçar o colchão inteiro.
— Meu Deus, eu não via a hora de deitar num lugar confortável!
O silêncio durou pouco, pois logo alguém bateu à porta. Arrastando os pés, a jovem foi atender ao chamado.
Sem largar a revista que folheava, Vinícius deu uma olhada rápida na tela do aparelho e deu de ombros.
— Se você gostou, para mim está ótimo. Só estou aqui como seu acompanhante, quem manda nessa viagem é você.
Luana revirou os olhos com um sorriso brincalhão e rebateu a fala:
— Falando assim, até parece que você é meu segurança particular.
Ele fechou a revista com um estalo e a colocou de lado, exibindo um sorriso cheio de ironia na sequência.
— E a gente por acaso tem alguma dúvida disso? O meu papel de guarda-costas não está óbvio o bastante?
Luana deu uma gargalhada genuína, pegando o celular de volta.
— Já que é assim, vou mandar mensagem para a dona da casa e agendar tudo. Espera aí... — Ela apertou os olhos para ler as letras miúdas do perfil e sorriu. — Que coincidência engraçada. A proprietária é do nosso país. Quais as chances, né? Isso tem cara de destino.
Vinícius cruzou os braços, ativando o modo desconfiado ao aconselhar:
— É bem com o nosso povo no exterior que a gente precisa ter cuidado em dobro. Vai que é golpe.
Ela ergueu a cabeça e franziu a testa, defendendo a escolha para a locação.
— Credo, acho que não. Pelo perfil, a mulher parece ser super gente boa e confiável.
Vinícius estreitou os olhos, sem comprar a ideia nem um pouco.
— Você nunca viu a mulher na vida, Luana. Como é que consegue saber que ela é de confiança só olhando para uma tela de celular?
Confiante, ela virou o aparelho de novo na direção do irmão e apontou para o topo da tela, mostrando os detalhes da página.
— Lê a descrição dela aqui no perfil, vê se não passa uma credibilidade imensa.
Logo abaixo da foto da proprietária, não havia nenhuma biografia exagerada ou promessas mirabolantes para alugar a casa. Havia apenas uma única frase, simples e direta: [A gente não passa a perna em quem é da gente.]

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...