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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 852

— Essa casa é mil vezes mais aconchegante que aquele hotel, e dá para ver de longe que não tem uma barata sequer por aqui! — Liliane exclamou, deixando as malas de lado e dando uma voltinha animada pelo quarto para admirar o novo espaço.

Do lado de fora, Valentino parou na soleira da porta, lançando um olhar rápido para o interior do cômodo rústico antes de se virar para conversar com o homem de camisa branca.

As palavras trocadas entre os dois soaram abafadas na brisa, um sussurro ininteligível, e logo em seguida o homem entrou em seu carro e sumiu pela estrada de terra, deixando apenas um rastro de poeira.

Com passos calmos e cadenciados, Valentino empurrou a cortina de tecido que cobria a entrada e entrou no quarto. Ele encontrou Liliane sentada na beirada da imensa cama espaçosa de madeira, com os olhos brilhando de pura curiosidade.

— Já tem alguém dormindo neste quarto? — Ela perguntou, deslizando o olhar para a pilha de cobertas impecáveis arrumadas em um canto.

— Sim, tem.

A resposta curta e seca a pegou de surpresa.

— Mas quem seria? — Ela questionou, confusa com a situação.

Cruzando os braços sobre o peito largo, Valentino encostou o ombro na parede de alvenaria e devolveu a pergunta com um tom de desafio e uma calma absurda:

— Quem você acha que é?

Um sobressalto fez com que Liliane ficasse de pé no mesmo instante. Suas mãos bateram no colchão de forma nervosa, tentando disfarçar o constrangimento repentino que começava a tomar conta de todo o seu rosto.

— Espera... Esse quarto é seu! Me desculpa a confusão, mas então onde é que eu vou dormir hoje?

Valentino ergueu o queixo de leve, apontando na direção de um colchão fininho, travesseiros e lençóis novinhos em folha que repousavam dobrados sobre um baú de madeira no canto do cômodo.

— Você vai dormir no chão. — Ele disse, com calma.

A garota ficou paralisada por bons trinta segundos, processando a informação absurda antes de apontar o dedo indicador para o próprio peito, incrédula com o que acabara de ouvir.

— Eu vou dormir no chão? Bem aqui na sua frente, no mesmo quarto?

— E o que mais seria? Você por acaso achou que eu fosse tentar alguma gracinha com você? — A expressão do rapaz continuava impenetrável, séria ao extremo e sem demonstrar um pingo de emoção.

As palavras sumiram da garganta de Liliane. No fundo, ela sabia que ele jamais ultrapassaria qualquer limite.

"Mas será que eu vou conseguir me segurar?", pensou consigo mesma, sentindo o coração bater acelerado no peito.

Com uma colher de prata, Amanda misturava o caldo nutritivo e fumegante servido em sua tigela. Ela soprou a fumaça rala que subia do prato antes de encarar a irmã com um olhar carregado de ironia.

— Engraçado, há bem pouco tempo você vivia pedindo para o Ricardo ser mais linha-dura com a menina. E agora que ele faz exatamente isso, você fica aí morrendo de pena?

— Ser linha-dura é uma coisa, mas mandar a menina para um buraco no fim do mundo é um absurdo sem tamanho! Tenho certeza absoluta de que ela não vai aguentar a vida no interior. Santa Aurora é um lugar atrasado, sem estrutura nenhuma, as estradas devem ser todas de chão batido, e Deus sabe o que ela está comendo e onde está dormindo!

Amanda tomou um gole do caldo e abriu um sorriso largo e divertido.

— Você adora reclamar que o seu marido estraga a Liliane de tanto dar mimos, mas no fim das contas, a grande protetora exagerada dessa história inteira é você mesma. Toda essa sua pose de mãe rígida não passa de pura fachada.

Deixando a tigela sobre a mesa de centro, Amanda abandonou o tom de brincadeira e adotou um semblante muito mais sério e conselheiro.

— Olha bem para a realidade, Sandra. A Liliane já é uma mulher feita, e criar casca no mundo real vai ser a melhor escola que ela poderia ter. É mil vezes preferível que ela enfrente alguns obstáculos e frustrações hoje do que apanhar feio da vida no futuro, quando estiver sozinha.

— Entendo o seu ponto de vista, Amanda, mas a minha filha... — Sandra abaixou o olhar para as próprias mãos, soltando um suspiro pesado que parecia carregar todas as dores do mundo. — Ela não tem a sua frieza para os negócios, e também não herdou a nossa malícia para lidar com interesses financeiros. Ela é a única herdeira da família Frota, e o meu maior terror é pensar que, quando nós não estivermos mais aqui para protegê-la, todo o patrimônio que construímos vai acabar escorrendo pelos dedos dela.

— Você não acha que está sendo trágica demais com tudo isso? — Amanda murmurou, sentindo um certo desconforto com a perspectiva tão sombria e fatalista da irmã.

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