A enfermeira ficou em choque, abaixando a cabeça enquanto uma sombra de tristeza tomava conta do seu rosto. Após um longo silêncio, ela soltou um suspiro pesado antes de responder:
— Eu agradeço muito por você ter empatia pela nossa situação. A verdade é que o hospital está há mais de três anos sem uma receita decente. Por causa disso, muitos funcionários e médicos excelentes acabaram indo embora. Quem ficou foram os mais velhos, que ainda conseguem se virar com as economias ou com a ajuda da família, mas os mais novos já foram todos procurar a vida em outro lugar. Hoje falta braço para trabalhar e falta equipamento básico, então a gente acaba mandando os casos mais graves para a cidade grande. Quem fica para se tratar aqui são as pessoas mais carentes da região, como idosos e mães com crianças pequenas, o que significa que o hospital não arrecada quase nada.
— E a prefeitura nunca tentou ajudar vocês com isso? — Questionou Liliane, sem entender o abandono.
A enfermeira soltou uma risada amarga e continuou:
— Desde que trocaram o prefeito, o repasse de verba que vinha para o nosso hospital caiu pela metade de uma hora para a outra. Você consegue imaginar que tem enfermeira aqui tirando um salário de oitocentos reais?
Oitocentos reais...
Liliane não tinha muita noção da gravidade desse valor na vida de uma pessoa comum. Mas lá no fundo, ela sabia que era uma miséria, um dinheiro que não pagaria nem um frasco do seu creme hidratante favorito.
— Isso é um absurdo! — Liliane se revoltou com a injustiça, o sangue fervendo. — E o diretor do hospital aceita uma situação dessas de braços cruzados?
— Como isso não afeta o bolso dele, é claro que ele não faz nada. O que importa a vida de quem está aqui embaixo ralando todo dia? A regra é clara, quem quiser continuar, continua; quem não quiser, que peça as contas. Só que a maioria do pessoal nasceu e cresceu aqui, tem pais idosos e filhos pequenos para criar, então não é tão simples assim chutar o balde. — Depois de colocar toda aquela mágoa e frustração para fora, a enfermeira percebeu que havia falado demais e deu uma olhada rápida para o relógio. — Eu preciso ir.
Liliane levantou da cadeira para acompanhá-la até a porta, querendo tirar mais algumas dúvidas. De repente, a enfermeira parou de andar, virou o rosto e sussurrou:
— Tem uma coisa que eu preciso te avisar, senhorita Liliane. A situação do hospital é bem mais suja do que vocês imaginam, mas eu não posso falar sobre isso, me desculpe.
Sem olhar para trás, a mulher empurrou a porta de vidro e sumiu da lanchonete a passos largos.
Liliane ficou parada, observando as costas da mulher desaparecerem na rua, com a mente a mil por hora.
Enquanto isso, um carro estava estacionado nas proximidades, com insulfilm escuro nos vidros que impedia qualquer pessoa de ver quem estava no banco do motorista.
O veículo havia surgido no exato momento em que a enfermeira chegou para a reunião, e agora que ela havia saído, o carro permaneceu no lugar por mais alguns segundos antes de dar a partida e seguir em direção ao hospital.
Já perto do anoitecer, um temporal desabou sobre a cidade sem aviso prévio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...