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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 864

A tempestade não durou muito, transformando-se logo em uma garoa fina e persistente que castigou a cidade durante a noite inteira.

Devido ao mau tempo, as barraquinhas de comida na rua principal encerraram as atividades antes mesmo das dez da noite. As ruas molhadas ficaram desertas em um piscar de olhos. O único sinal de vida vinha da grande casa de shows na rua de trás, que continuava com as luzes acesas e o estacionamento lotado de carros.

No palco do salão principal, algumas dançarinas com roupas curtas rebolavam ao som da música alta, enquanto várias mesas permaneciam ocupadas por clientes. O movimento ali dentro parecia imune ao clima ruim lá fora.

Um garçom entrou em uma das salas privativas no segundo andar carregando uma travessa de petiscos. O ambiente estava reservado para apenas três pessoas, dois engravatados do alto escalão e o dono do estabelecimento.

O proprietário brindava animado com os dois convidados. Assim que o funcionário deixou a comida na mesa, ele deu a ordem para que o rapaz fosse até o seu escritório buscar duas garrafas daquele conhaque importado reservado para ocasiões muito especiais.

— O seu negócio vai muito bem, Sr. Ronaldo! Venho aqui todo dia e o lugar está sempre lotado. Acredito que esta seja a única casa noturna que restou em toda Santa Aurora. — Comentou um dos engravatados, em tom de elogio.

— O senhor é muito gentil, Sr. Márcio! — Ronaldo abriu um sorriso largo enquanto enchia o copo do outro. — Se consegui dominar o mercado local nos últimos três anos, foi tudo graças à sua proteção e ajuda por aqui.

Márcio assentiu, satisfeito com a resposta, e deu um gole na bebida antes de soltar a notícia grave: — O pessoal da Sinar Medical foi até a farmácia do hospital fazer uma auditoria nas contas.

Ronaldo deu de ombros, sem dar muita importância para o assunto.

— É só por causa daquele lote de remédios, não é? O hospital vai assumir a responsabilidade de qualquer jeito, então isso não tem nada a ver com a gente.

— Não é você quem decide se tem a ver ou não. — O tom de Márcio ficou sombrio ao pousar o copo na mesa de vidro. — A gente sabe muito bem para onde foi o dinheiro repassado pelo governo. Se o hospital for investigado a fundo, nenhum de nós vai conseguir escapar dessa confusão.

O sorriso de Ronaldo desapareceu por completo. A postura relaxada deu lugar a uma expressão tensa e cheia de cautela.

Márcio ergueu a mão e deu uns tapinhas no ombro de Ronaldo.

— Tenho medo de que alguém do hospital abra o bico, então preciso que você fique de olho nisso para mim. — Ele se inclinou na direção do anfitrião com um sorriso frio no rosto. — Preste muita atenção naqueles que estão investigando o hospital. Quanto à forma de resolver o problema, deixo nas suas mãos.

Após dar o recado, ele se levantou, pegou o microfone e começou a cantar junto com a melodia que tocava na tela.

Sentado no sofá de couro, Ronaldo girava o copo de uísque entre os dedos com uma feição gelada, arquitetando os seus próximos passos na cabeça.

...

Enquanto isso, na pequena pousada do interior, Liliane passava a noite em claro. Ela estava deitada na cama rústica, virada de costas para Valentino. O colchão era bastante estreito. Embora uma pequena mesa de cabeceira improvisada os separasse e nenhum dos dois tivesse cruzado o limite, a proximidade era tanta que podiam ouvir a respiração um do outro na escuridão.

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