No dia seguinte.
Clarice chegou no horário ao Grupo Carneiro, mas Melissa estava instalada no escritório do presidente e não saía por nada.
— Srta. Adriel, entrou uma mulher no escritório do Sr. Carneiro, e ela está toda insinuante. Você, que é a esposa legítima, não vai lá conferir? E se ela acabar levando o Sr. Carneiro de vez? — sussurrou a assistente Evelise, aproximando-se.
Clarice soltou uma risadinha. Claro que ela estaria se insinuando — afinal, era Melissa.
Devorar por inteiro? Humpf. A vontade dela era trancar os dois no mesmo quarto e deixar que se engolissem de vez.
— Não se preocupe, o Sr. Carneiro de vocês é um homem de princípios, inabalável. Como ele cairia nas garras de uma mulher tão vulgar?
Enquanto as duas conversavam, Melissa apareceu no meio da sala de reuniões, balançando os quadris e seguindo Orlando de forma petulante.
— Por motivos operacionais, a Melissa vai assumir temporariamente o cargo da Clarice, incluindo todos os projetos em andamento. Todos os departamentos devem cooperar totalmente — disse Orlando, batendo os nós dos dedos na mesa com um semblante frio.
Assim que essas palavras foram ditas, todos olharam para Clarice em estado de choque.
— A partir de agora somos colegas. Espero contar com a colaboração de todos — disse Melissa, dando um passo à frente e exibindo um sorriso que julgava elegante e amigável.
Após falar, lançou um olhar para Clarice, com os olhos transbordando provocação.
Clarice curvou os lábios, sorrindo para ela, e foi a primeira a aplaudir, logo seguida por uma salva de palmas que ecoou por toda a sala de reuniões.
Clarice levantou-se com elegância, pegou a pilha de documentos à sua frente e a colocou na frente de Melissa.
— Estes são todos os projetos de parceria atuais da empresa, estão todos aqui.
Melissa ficou muito satisfeita com a atitude submissa de Clarice, mas Orlando observava a cena com frieza.
A reação de Clarice estava muito estranha, o que o fez começar a desconfiar.
A imagem de Clarice entrando no carro de um desconhecido voltou à sua mente.
Clarice havia se mudado; será que ela passou esses últimos dias com aquele homem?
Será que Clarice realmente tinha outro lá fora?
Uma vez que essa ideia se formou, foi impossível apagá-la.
Agindo mais rápido que o pensamento, ele agarrou o pulso de Clarice e a puxou com força contra o próprio peito, sem se importar com os olhares ao redor.
As palavras saíram como um interrogatório, como se ele a tivesse visto na cama com outro com os próprios olhos.
— Que homem? Você enlouqueceu? Acha que eu sou como você, que vai para a cama com qualquer um?
Ela puxou a mão com força. Orlando estava apertando com tanta intensidade que doía.
— Eu vi tudo, ele até veio te buscar na porta da empresa, e você ainda quer negar?
Orlando não recuava. Ele podia não amar Clarice e até desdenhar a ideia de tocá-la.
Mas também não permitiria que outros homens a tocassem.
Clarice ficou atônita por um segundo, até que a lembrança de Erasmo indo buscá-la naquele dia voltou à sua mente.
Não pôde evitar um sorriso de deboche; pelo visto, Orlando tinha visto Erasmo.
Que ótimo. Depois de amargar tantos anos por causa desse amor, antes de partir, faria Orlando engolir um pouco do próprio veneno.
Clarice caminhou até uma cadeira próxima e sentou-se, com os olhos cheios de sarcasmo.

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