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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 120

Clarice atendeu:

— Oi, Erasmo. Por que você ainda não foi dormir?

— Como eu poderia dormir sem saber se você chegou bem? Está tudo certo por aí?

A voz de Erasmo era profundamente grave e, no silêncio daquela noite escura, uma sensação inebriante viajou pelo telefone e alcançou o coração dela.

Clarice tocou o próprio peito e respondeu com um tom suave:

— Sim, tudo ótimo. Consegui recuperar o meu quarto. Não sou incrível?

Com os olhos ainda fechados, ela se ajeitou na cadeira, pressionando o celular ainda mais contra o ouvido.

Do outro lado da linha, uma risada baixa e magnética soou de forma agradável, como as águas de um riacho fluindo através do coração.

— A minha Clarice é a melhor de todas. Você está do lado de fora?

Clarice brincou:

— Como você sabe? Por acaso o onipotente Erasmo tem uma bola de cristal?

Erasmo respondeu:

— Consegui ouvir o barulho do vento.

Desta vez, foi Clarice quem soltou uma risadinha baixa.

— Erasmo, você não tem uma bola de cristal, tem uma superaudição.

Ao ouvir o riso leve e descontraído de Clarice, a preocupação que afligia Erasmo do outro lado da linha finalmente desapareceu.

Erasmo perguntou:

— Você está livre amanhã?

Clarice indagou:

— Algum problema?

Erasmo confirmou:

— Sim. Quero que me acompanhe para escolher as alianças de casamento.

Clarice paralisou. Alianças de casamento? É verdade, ela quase havia se esquecido de que, com aquele retorno, os planos de casamento de Erasmo estariam em pauta.

Erasmo chamou:

— Clarice, você está me ouvindo?

Clarice voltou a si.

— Estou, mas... não seria a Kátia quem deveria escolher as alianças com você? Não acho apropriado que eu vá!

Erasmo explicou:

— Ela ainda está na Cidade H e não consegue vir. Foi ela mesma quem pediu para você escolher em seu lugar.

Clarice questionou:

— Por que tão de repente? O Ezequiel não queria que você se casasse com a Vânia? Você não vai mais lutar contra isso?

Erasmo riu levemente.

— Isso vai depender se ele consegue passar pela aprovação da vovó. Ela me ligou dizendo que tem uma consulta médica de retorno amanhã e me pediu para aproveitar a ocasião para escolher as alianças. Além disso, está me pressionando para me casar no civil com a Kátia o mais rápido possível.

Casar no civil?

Uma dor incômoda e abafada surgiu em seu peito. Clarice franziu a testa e massageou a região do coração. O que estava acontecendo?

Por que ela estava sentindo aquela sensação de asfixia?

Clarice mergulhou em silêncio mais uma vez, e Erasmo a chamou suavemente:

— Clarice, o que houve?

Clarice ergueu o rosto, observou as estrelas no céu noturno e murmurou baixinho:

— Erasmo, não consigo dormir. Canta uma música pra mim? Como você fazia pra eu dormir quando a gente era criança.

A própria Clarice não conseguia explicar o motivo de uma melancolia tão repentina.

Houve um momento de silêncio do outro lado. Com os olhos fechados, Clarice passou a ouvir, pelo telefone, uma melodia pura e reconfortante.

Era como a água cristalina de uma nascente, como o sol aquecendo uma manhã de inverno; um som terno, apaixonante, etéreo e distante.

Não se sabe quanto tempo se passou até que Clarice adormecesse profundamente.

Erasmo, que também estava na varanda de sua casa, cessou o canto e a chamou bem baixinho:

— Clarice.

Não houve resposta, apenas o som de uma respiração compassada ecoando através do telefone.

Um belo sorriso formou-se nos lábios de Erasmo, e ele fixou o olhar na lua suspensa no horizonte.

Capítulo 120 1

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