Ao dizer isso, Adelina deu um tapa forte na mão atrevida de Leandro Neves.
Ela apoiou o corpo de Leandro Neves e começou a arrastá-lo para fora do clube.
Clarice observou a figura pequena de Adelina tentando carregar o imenso Leandro Neves, murmurando xingamentos pelo caminho.
Antes que pudesse processar a cena, sentiu sua própria mão ser agarrada. Uma mão grande a puxou com força, fazendo seu corpo pender e cair sentada diretamente no colo de Erasmo.
O corpo de Erasmo emanava um calor absurdo, que traspassava o tecido fino de suas roupas e a aquecia.
Ainda mais constrangedor era o local exato onde havia aterrissado, tornando certas reações masculinas impossíveis de ignorar.
Ela sabia que era o Erasmo, seu irmão, e que aquela reação era culpa do efeito da droga.
Ela não deveria pensar demais, mas, mesmo através do tecido, havia um movimento claro. Sendo uma mulher adulta, era impossível fingir que nada estava acontecendo!
— Erasmo, abre os olhos. Sou eu, a Clarice. Me solta primeiro, eu sei que você tá se sentindo mal, eu... hum.
As palavras desesperadas foram completamente engolidas por um beijo avassalador, que caiu sobre ela como uma tempestade incontrolável.
Clarice tentou empurrá-lo algumas vezes, mas sua força não era páreo, sendo incapaz de mover Erasmo nem um milímetro.
Especialmente lidando com alguém completamente dominado pelos efeitos de uma droga.
Erasmo a beijava com tanta urgência que parecia querer devorá-la inteira.
Clarice parou de resistir e permitiu que Erasmo a invadisse, até sentir que estava quase sufocando, momento em que ele finalmente a soltou.
Erasmo recostou-se novamente no sofá, com os olhos fechados, porém, sem afrouxar o abraço em torno dela.
Apoiando-se no peito de Erasmo, Clarice respirou fundo algumas vezes até sua respiração voltar ao normal.
Foi então que Clarice o chamou suavemente.
— Erasmo, acorde. Vou levar você para casa.
Talvez por ter ouvido a voz dela, Erasmo abriu os olhos.
Seus belos olhos estavam carregados de uma afeição profunda.
Sua voz soou rouca, baixa, mas com um magnetismo inegável.
A mão grande e áspera acariciou a bochecha macia de Clarice enquanto ele a encarava intensamente.
O fundo dos olhos dele parecia um céu cheio de estrelas, exalando uma tentação quase letal.
— Clarice? — murmurou Erasmo suavemente.
— Sim, sou eu. Erasmo, vamos para casa, aguenta firme só mais um pouco. — assentiu Clarice freneticamente.
Erasmo finalmente reagiu. Assentiu e se levantou. Sua expressão era de total calma, como se tivesse esquecido que acabara de forçar um beijo nela.
Clarice ajudou Erasmo a sentar-se no banco do passageiro, prendeu o cinto de segurança e dirigiu rumo a casa.
A viagem durou cerca de meia hora, tempo durante o qual Clarice não parou de observar as reações dele.
Ele permaneceu de olhos fechados o tempo todo, sem dizer uma palavra, mas as veias azuis em seu pescoço saltavam de forma alarmante.
Ao abrir a porta da mansão, Clarice notou que a casa estava vazia. O que estava acontecendo?
Onde estava Diogo? E os empregados?
E o médico da família que deveria estar ali?
Com muito custo, Clarice conseguiu ajudar Erasmo a deitar na cama, ficando completamente exausta e ofegante no processo.
Pegou o celular para ligar para Adelina, mas o telefone tocou repetidamente sem resposta.
Quando estava prestes a desligar, a ligação foi atendida.
— Clarice, o que houve? — perguntou Adelina, parecendo um pouco sem fôlego.

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