Ela compreendia perfeitamente a importância que tinha no coração de Erasmo e não queria se tornar a sua fraqueza.
— Tudo bem, temos todo o tempo do mundo. — concordou Erasmo de imediato, percebendo que Clarice havia cedido um pouco.
O relógio marcava sete da noite quando Clarice acompanhou Erasmo até a Vila de Alves.
Desta vez não havia tanta gente presente, apenas a família de Ezequiel.
Sentado no lugar de honra na sala de estar, Ezequiel franziu a testa ao vê-los entrar e murmurou secamente para que se sentassem.
Ela percebeu a insatisfação dele com a sua presença. No entanto, sua posição exigia que mantivesse a educação, impedindo que agisse de forma ríspida.
— Queria falar comigo? — foi direto ao ponto Erasmo. Clarice, sem se importar com a hostilidade do ambiente, havia se acomodado elegantemente ao seu lado.
— Não posso procurá-lo sem um motivo? Você é meu filho; preciso de uma desculpa para mandar chamá-lo à sua própria casa? — retrucou Ezequiel, após tomar um gole de chá.
Era uma justificativa frágil. Nenhum dos dois era ingênuo a esse ponto, e a única resposta de Erasmo foi um sorriso frio.
Mas havia quem acreditasse cegamente nessas palavras, como era o caso de Elisa.
Elisa trouxe uma bandeja de frutas e sorriu de forma acolhedora para Erasmo.
— Erasmo, coma algumas frutas, são todas as suas favoritas. — ofereceu Elisa.
Ele não moveu um músculo. Clarice baixou o olhar e, ao notar pedaços de manga misturados às outras frutas, suas belas sobrancelhas se franziram.
Erasmo era alérgico a manga. Ela se lembrava bem de quando ele recém-chegara à sua casa e ela lhe servira daquela fruta.
Ninguém sabia disso na época, nem o próprio Erasmo.
Aquele incidente quase custara a vida dele, deixando-a apavorada.
As demais frutas também não eram as favoritas de Erasmo.
Diante da imobilidade do rapaz, Elisa pareceu confusa.
— Não gostou, Erasmo? Escolhi especialmente para você. Lembro que adorava quando era pequeno. — disse ela.
Elisa espetou um pedaço com o garfo e, por acaso, era um cubo de manga.
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