Por fim, sob o bombardeio insistente de Adelina e Kátia, Clarice finalmente quebrou a barreira que a impedia.
Ao sair do hospital, Erasmo recebeu uma notificação no celular. O homem, que já estava dirigindo, encostou o carro bruscamente na beira da rua.
Era o toque personalizado de Clarice. Ela havia respondido.
Ele pegou o aparelho e abriu o aplicativo de mensagens.
— Tudo bem! — era o que a mensagem dizia.
Apenas duas palavras simples, mas os cantos dos lábios de Erasmo se ergueram em um sorriso que ele não conseguiu conter.
Ele olhou para a própria mão e percebeu que a palma estava suada.
Erasmo soltou uma risada baixa, debochando de si mesmo. Fazia tantos anos que não sentia o coração bater tão acelerado daquele jeito.
— Estou com saudades. Onde você está? Vou te buscar. — digitou ele.
Naquele exato momento, o trio de amigas encarava a tela do celular, e os olhos de Adelina e Kátia brilhavam de empolgação.
— Nossa, quem diria que o meu irmão era tão intenso assim, escondendo o jogo!
— Faz nem meia hora que vocês se viram e ele já está com saudades?
Kátia cobria a boca ao lado, rindo baixinho.
Clarice sentiu-se um pouco constrangida. Com as provocações de Adelina, suas bochechas coraram levemente. Olhar para aquelas palavras tão cheias de afeto na tela a deixava com um friozinho na barriga.
Eram apenas três palavras comuns, mas com a mudança de sentimentos, o significado delas transformava tudo.
Adelina continuou a instigá-la:
— Você prometeu que ia fazer compras com a gente. Não pode nos abandonar só porque ele disse que está com saudades, hein!
— Além do mais, vocês moram juntos, o que não falta é oportunidade.
— Diga ao meu irmão para ir para casa primeiro.
Clarice sorriu sem graça. Na verdade, ela também estava com um pouco de vergonha de encarar Erasmo agora.
— Pode ir para casa. Nós ainda vamos fazer compras, eu volto mais tarde. — ela respondeu.
A mensagem mal havia sido enviada e a resposta chegou em segundos.
— Está bem. Compre tudo o que gostar, não precisa economizar o meu dinheiro. Estarei te esperando em casa.
— Ah, e não volte muito tarde. Amanhã é um bom dia e a avó está com pressa. Vamos ao cartório amanhã! — escreveu Erasmo.
Amanhã? Isso não era rápido demais?
Adelina estalou a língua duas vezes, mas ainda assim defendeu Erasmo após olhar a tela:
— É, amanhã é um bom dia mesmo. Quanto antes, melhor.

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