— Luan, só não acabo com você em respeito ao Sr. Alves, mas esse soco você mereceu. Há mulheres em quem você não deveria nem encostar.
— Orlando, você perdeu o juízo?
Clarice se desvencilhou com força, querendo correr para verificar os ferimentos de Luan.
Orlando estava fervendo de raiva, os nós dos dedos estalando de tanta tensão.
O fato de Clarice demonstrar tanta preocupação por outro homem o enfureceu, e ele esticou o braço para puxá-la bruscamente.
Antes mesmo que ele conseguisse alcançá-la, Clarice tropeçou em alguém e foi projetada para frente.
Quando Orlando finalmente se deu conta, Clarice já estava amparada nos braços de Erasmo.
— Você está bem?
A voz soou suave. Clarice balançou a cabeça, indicando que estava ilesa.
O olhar gélido de Erasmo varreu a figura de Melissa, que encolheu os ombros, assustada.
— Sr. Carneiro, agredir um funcionário meu sem motivo aparente exige, no mínimo, uma explicação plausível.
A expressão de Orlando vacilou por um instante, mas, convicto de que não estava errado, ergueu a mão e respondeu com polidez.
— Sr. Alves, o seu subordinado tem um caso obscuro com a minha esposa, e eu acabo de flagrá-los. Como homem, acredito que o senhor consiga compreender a minha frustração.
— Esposa?
A voz de Erasmo soou grave, carregada de dúvida.
Orlando apontou para Clarice, com um tom frio:
— Essa mesma que está ao seu lado.
Melissa aproveitou a deixa para colocar lenha na fogueira.
— Sr. Alves, Orlando só reagiu assim porque Clarice o traiu primeiro. Ele apenas fez o que qualquer marido faria.
Clarice revirou os olhos com impaciência. Os dois pareciam loucos, difamando-a daquela forma bem na frente de Erasmo.
— Traição no casamento? Sendo assim, ela merece mesmo uma boa lição.


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