O rosto de Clarice fechou-se em um instante, e ela agarrou com força o queixo de Melissa. A simples menção a um filho a fez recordar do dia em que Fátima a drogara.
Ela já havia consultado um médico em segredo; seria muito difícil conseguir ter um filho pelo resto de sua vida.
— Melissa, o que você sabe?
Ansiosa para agilizar o divórcio, ela havia até deixado de lado a questão do remédio adulterado por Fátima.
Pensando bem agora, se a intenção era impedi-la de gerar um herdeiro para a Família Carneiro, Orlando já não a tocava, então por que se dariam a esse trabalho todo?
Mas, a julgar pelo tom de Melissa, a história não era tão simples assim.
— Você quer saber? Pois eu não vou te contar. — provocou Melissa.
Clarice estreitou os olhos amendoados e, apertando ainda mais os dedos, prensou a mulher contra a pia do banheiro.
— Melissa, é bom que eu nunca descubra que você tem algo a ver com isso.
— Caso contrário, farei você se arrepender pelo resto da sua vida.
Ela estava determinada a investigar essa história a fundo e, não importava quem estivesse envolvido, ela não deixaria ninguém impune.
O corpo de Melissa continuou encostado na pia, com os olhos fixos nas costas de Clarice enquanto ela se afastava.
Só então, quando a silhueta de Clarice desapareceu pela porta, Melissa soltou um suspiro de alívio.
Sobre o fato de Fátima ter dado a Clarice um remédio que comprometia sua fertilidade, ela apenas ouvira alguns comentários por acaso; o motivo exato pelo qual queriam arruiná-la, ela realmente não sabia.
Se Clarice não a tivesse provocado há pouco, ela não teria deixado a língua escapar em um momento de impulso.
Mas talvez fosse melhor assim. Ter instigado Clarice a agredi-la era favorável para o seu próximo passo no plano.
Suas mãos apertaram a bolsa instintivamente, e seus olhos transbordavam uma faísca de loucura.
No caminho de volta, Clarice permaneceu em absoluto silêncio. A paisagem lá fora passava rapidamente, e a luz amarelada dos postes refletia através da janela em seu rosto com pele de porcelana.
Sem o menor vestígio de um sorriso.
Ela sabia que Erasmo não parava de observá-la, mas continuava sem a menor vontade de se explicar.
— Quem irritou você? Que cara mais fechada.
A voz profunda e magnética ecoou no interior do carro; Erasmo não resistiu em perguntar.
— Não é nada, é só que passei muito tempo sem beber álcool e meu estômago está reclamando um pouco. — Clarice forçou um leve sorriso.
O carro estava em alta velocidade, e logo os dois entraram na mansão, um após o outro.
Ao ver os dois retornando, Paula apressou-se em ir ao encontro deles.
— Paula, pegue o remédio para o estômago e sirva um copo de água com mel.
Erasmo instruiu enquanto trocava de sapatos.
Clarice já havia ido direto para o sofá, aninhando-se completamente nele e soltando um suspiro de conforto.
Erasmo sentou-se ao seu lado.
— Desde quando o seu estômago ficou tão fraco assim?
Erasmo entregou-lhe o remédio, e Clarice o pegou, engolindo-o de uma vez. Paula logo lhe ofereceu a água com mel, mas Clarice acenou com a mão em recusa.
— Não é necessário.
Depois de tomar remédios amargos por tantos anos, ela já nem sentia o gosto ruim de uma simples pílula de farmácia.
Erasmo lançou-lhe um olhar, e seus olhos ganharam um tom ainda mais sombrio.

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