Orlando havia contado tudo para Fátima.
Clarice levantou-se e sacudiu uma poeira inexistente de suas roupas.
Caminhou em direção à cama de hospital de Fátima, parando a dois passos de distância.
A estatura de Clarice era alta, enquanto Fátima estava recostada na cama.
Essa diferença de altura colocava Clarice exatamente em uma posição de superioridade.
Seus lábios finos curvaram-se levemente, e seus olhos transbordavam deboche.
— Filha? Fátima, ouvir você dizer essa palavra me dá nojo.
— E chamar você de mãe seria um insulto de tão absurdo.
— Mas não tem problema, você já não é mais a minha mãe. E hoje, eu trouxe algumas surpresas para você.
— A primeira você já sabe. O neto que você tanto esperava já não existe, e, para piorar, ele sequer carregava o sangue da Família Carneiro.
— E quanto à segunda surpresa!
Clarice inclinou-se para frente, com um olhar úmido carregado de escárnio.
— Seu filho ficou estéril. Você destruiu a minha saúde, o bebê no ventre de Melissa também se foi, e agora Orlando perdeu a capacidade de procriar.
— Foi você quem acabou com a descendência e o futuro da Família Carneiro. Está satisfeita agora?
Fátima ergueu o olhar de supetão; os olhos antes gentis e amigáveis agora transbordavam fúria.
— O que você disse?
Três vozes diferentes fizeram a mesma pergunta.
Clarice endireitou-se, rindo abertamente.
Ela virou-se para a porta do quarto.
Orlando, com o rosto machucado, tinha os olhos arregalados em choque e incredulidade.
— Repete o que você disse! O que aconteceu comigo?
Clarice abriu um sorriso irônico.
— Não importa quantas vezes eu repita, a verdade é a mesma. Se não acredita em mim, vá procurar um médico.
Na noite anterior, ela tinha colocado a substância certa. Fátima usou uma droga de ação lenta para arruinar o corpo de Clarice.
E Clarice, em troca, usou uma substância potente para acabar de vez com a descendência da Família Carneiro.
Orlando cambaleou, recusando-se a acreditar. Ele estava desesperado para provar que as palavras de Clarice eram mentira.
Sem pensar duas vezes, virou as costas e saiu correndo pela porta, determinado a fazer os exames.
Ela, na verdade, tinha um plano duplo. Se Clarice não obedecesse, em último caso, usaria a criança para prendê-la.
Nunca imaginou que Clarice daria um golpe fatal em Orlando.
Clarice zombou com frieza.
— Mesmo que fosse reversível, o dano que eu sofri foi muito real. Eu já te considerei como minha própria mãe, mas no fim percebi que você nunca foi digna disso.
Para Fátima, aquilo era apenas o começo.
...
Clarice saiu do hospital de excelente humor e aproveitou para passar no supermercado, preparando-se para a pequena reunião daquela noite.
Ela adorava churrasco. O som da carne chiando na brasa era uma das coisas que ela mais gostava de ouvir.
Bastava uma mordida para o sabor se espalhar pela boca.
Quando se tratava de ingredientes, ela também adorava escolher tudo pessoalmente, percorrendo os corredores do supermercado com agilidade.
Luan e Erasmo empurravam um carrinho cada, ambos completamente lotados.
Ao retornarem ao Parque das Acácias, Clarice foi direto para a cozinha como um raio.
Kátia, não querendo ficar sozinha na sala de estar, apressou-se em segui-la. Afinal, com Erasmo por perto, ela se sentia sufocada.

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