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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 69

— E mais, como você soube que a Adelina estava aqui? Não me diga que instalou câmeras na minha casa.

Leandro Neves procurou ao redor e, ao não encontrá-la, virou-se para encarar Erasmo.

— Se ela não fosse a melhor amiga da Clarice, você realmente se importaria com ela ou não?

— Vou levá-la embora. Assim, não atrapalho o mundo a dois de vocês.

Erasmo deu uma risada leve.

— Falando assim, parece que eu não tenho um pingo de humanidade.

Leandro arqueou a sobrancelha.

— E você tem?

— Por acaso você tem? — Erasmo rebateu.

— Estamos quites.

Erasmo aproximou-se e deu um tapinha no ombro de Leandro Neves.

— Vá em frente, leve-a embora. Mas lembre-se de ser gentil. Afinal, nós somos rivais. Se a Adelina vier reclamar comigo, eu não poderei ficar de braços cruzados.

Leandro ajustou os óculos de armação dourada, curvando levemente os lábios.

— Agradeço em nome de Adelina por se importar tanto com ela.

Erasmo guiou Leandro até o quiosque no quintal, onde a cena já não podia mais ser descrita apenas como caótica.

Clarice e Adelina estavam abraçadas bem forte, rindo e chorando ao mesmo tempo.

Como estavam um pouco afastadas, não dava para entender o que as duas murmuravam sem parar.

Kátia, por sua vez, estava em um canto sozinha, enxugando as lágrimas silenciosamente.

Leandro franziu a testa.

— Quanto elas beberam?

Erasmo observava a cena com um sorriso, seus olhos transbordando um carinho profundo.

— Elas estavam felizes. Não há problema em beber um pouco a mais.

Leandro lançou um olhar rápido, deu passos largos e foi direto até Adelina.

Erasmo o seguiu de perto.

Ao se aproximar, Leandro inclinou-se para pegar Adelina nos braços, mas ela estava grudada em Clarice e se recusava a soltá-la.

— Você não vai me ajudar?

Erasmo deu de ombros, caminhou até uma cadeira próxima e sentou-se.

— Resolve o problema da mulher que você quer sozinho.

Ficou claro que ele não pretendia ajudar.

— Fique à vontade. Escolha qualquer quarto de hóspedes. Mas o único que sobrou foi um quartinho no térreo.

Leandro não se importou e começou a beber sozinho. Os dois únicos homens sóbrios do local brindaram sob a luz do luar.

Nenhum dos dois disse uma palavra, mas toda a atenção de ambos estava voltada para as suas respectivas mulheres à frente.

Porém, a atmosfera calma e pacífica nunca durava muito tempo.

Um grito de Adelina estilhaçou completamente o silêncio da noite.

— Leandro Neves, seu canalha! Eu não quero mais saber de você!

O rosto de Leandro fechou-se em uma expressão sombria.

Erasmo curvou os lábios e ergueu a taça de vinho na direção de Leandro.

— O álcool revela a verdade. Talvez ela realmente não te ame mais.

— Isso mesmo! Não o quero mais! E também não quero mais aquele canalha do Orlando! Isso mesmo! Não quero mais nenhum deles! Vou jogar todos fora!

A expressão de Leandro melhorou subitamente e ele soltou uma risada fria.

— É uma pena que certas pessoas nem consigam chegar perto do amor. Mesmo bêbada, ela não menciona o seu nome para revelar a verdade.

Os olhos de Erasmo congelaram. Ele levantou-se abruptamente, puxou Clarice e a pegou no colo.

— Leve ela embora e saiam da minha frente.

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