Ao ouvir que Clarice estava ilesa, os lábios de Erasmo se curvaram em um leve sorriso.
— Ainda bem que você não se machucou. Para de chorar, senão vai ficar toda inchada. Quer ficar feia de tanto chorar?
Com muito esforço, Erasmo ergueu o braço para enxugar as lágrimas do rosto dela.
— Então agora você vai me achar feia? — Vendo que ele ainda tinha energia para provocá-la, ela sorriu por entre as lágrimas.
— Claro que não — ele alargou o sorriso.
— O médico disse que, quando você acordasse, poderia ingerir alimentos líquidos. Vou dar um jeito de você comer alguma coisa daqui a pouco — Clarice levantou-se e ajustou a inclinação da cama.
O Luan está internado no andar de baixo. Os ferimentos dele foram um pouco mais graves, por isso ele ainda não acordou.
Clarice pegou um copo de água, colocou um canudo e ofereceu a Erasmo. Luan acompanhava Erasmo há muitos anos, então era natural que ele estivesse extremamente preocupado.
Erasmo murmurou em concordância e, puxando pelo canudo, bebeu toda a água em poucos segundos.
Em seguida, ela trouxe uma tigela de caldo leve, desta vez colocando um canudo mais grosso para que Erasmo pudesse beber.
Erasmo tomou o caldo obedientemente, sem causar nenhum problema.
— Descanse um pouco, eu vou lá ver como o Luan está — disse Clarice, logo após terminar de alimentá-lo.
Erasmo ergueu o olhar para ela, e Clarice sorriu de canto.
— Como você já acordou, preciso descer para verificar o estado do Luan.
E, de quebra, aproveitaria para dar uma olhada no bandido que causou tudo aquilo.
— Eu volto logo — Clarice ajeitou um travesseiro macio nas costas de Erasmo.
— Deixe para ir amanhã. Chegue mais perto, deixe-me ver se você realmente não se machucou em lugar nenhum — Erasmo segurou a mão dela e balançou a cabeça em sinal de negação.
Clarice recuou instintivamente. Os seus ferimentos eram superficiais; os arranhões nos braços e nas pernas tinham uma aparência assustadora, mas não passavam de escoriações leves.
No entanto, ela não queria que Erasmo visse os machucados.
— Não é nada, apenas alguns arranhões — ela sorriu para disfarçar.
Erasmo fixou o olhar nela com intensidade, mas Clarice sustentou o olhar com naturalidade. No final, ele acabou cedendo.
No dia seguinte, logo após os dois terminarem o café da manhã, Kátia surgiu na porta do quarto.
Assim que a viu, correu para abraçá-la. Kátia a examinou de cima a baixo várias vezes e, só depois de se certificar de que ela estava realmente bem, respirou aliviada.



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