Clarice já havia bebido bastante, embora Orlando, fingindo-se de cavalheiro, tivesse interceptado muitas das taças por ela.
Ela sentia que aquele grupo estava estranho hoje, chamando-a de cunhada a todo momento com uma intimidade forçada.
Isso era algo que nunca havia acontecido nos últimos cinco anos; pelo contrário, o que ela mais tinha escutado eram comentários maldosos.
Ela não podia mais beber. Já sentia uma leve tontura, e seu corpo começava a esquentar.
Girou o pescoço para aliviar o desconforto.
— O que foi?
Orlando virou a cabeça e perguntou com aparente preocupação.
— Não é nada, só estou com um pouco de calor. Vou lá fora tomar um ar. — Clarice lançou-lhe um olhar rápido.
Assim que Clarice tentou se levantar, Orlando também se levantou.
— Eu vou com você. Não fico tranquilo em deixar você sozinha.
A droga já havia começado a fazer efeito. Aquele era o momento perfeito.
Clarice franziu a testa e recusou de forma categórica, mas assim que seus pés tocaram o chão, foi como se pisasse em algodão; uma fraqueza a dominou.
— Cuidado.
Orlando estendeu os braços para ampará-la e, aproveitando o momento, puxou-a para o seu abraço.
O instinto de Clarice foi empurrá-lo, mas seu corpo estava mole e sem forças. Sua visão começou a escurecer aos poucos.
— Ela bebeu demais. Vou levá-la para descansar no andar de cima e desço na hora dos fogos de artifício.
— Claro, Orlando, sem pressa. Pode subir com a sua esposa!
Aos seus ouvidos chegavam as conversas e os risos descontraídos do grupo.
A reação estranha do seu corpo já a fizera suspeitar, e a situação atual apenas confirmava a sua teoria.
Havia caído em uma armadilha. Ela não imaginava que Orlando teria a coragem de dopá-la no seu próprio banquete de aniversário.
Clarice, sem forças, foi amparada por Orlando. Os dois entraram no elevador e subiram direto para a cobertura.
Com um clique, a porta se abriu e Clarice foi levada para dentro.
Orlando a colocou sobre a cama. Clarice forçou-se a apoiar o corpo, encarando o homem à sua frente com frieza.
O isolamento acústico não era dos melhores. Do outro lado da porta, dava para ouvir respirações ofegantes e gemidos abafados. Soavam como dor misturada com prazer.
— Vagabunda.
Melissa rosnou com rancor. Já que ela gostava tanto de homem, em breve ia acabar destruída na cama por um deles.
Justo no momento em que Melissa se virava, um golpe certeiro atingiu sua nuca, e ela desabou no chão instantaneamente.
Felizmente, o corredor era acarpetado, então o barulho da queda não foi alto.
Luan, ágil e perspicaz, arrastou-a para um canto e, aproveitando o movimento, levou Kátia junto.
Os dois viraram de costas, evitando olhar para a porta do quarto.
Porém, devido ao silêncio do corredor, os sons lá de dentro ficavam cada vez mais nítidos.
Erasmo permaneceu parado diante da porta, com seus olhos negros e aparentemente calmos fixos na madeira à sua frente.
As mãos escondidas nas mangas se fecharam ligeiramente e logo relaxaram. Seus pés pareciam pregados ao chão, recusando-se a mover um centímetro sequer.
Eles estavam casados há cinco anos; era impossível que não tivessem uma vida íntima. Se aquilo fosse realmente consensual, ele respeitaria a escolha de Clarice.

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