Sob o efeito do álcool, que intensificava infinitamente suas emoções, os olhos de Clarice se encheram de lágrimas na mesma hora.
Ela acariciava sem parar o bracelete no pulso. É claro que estava satisfeita; a joia, antes partida, havia sido restaurada com uma perfeição impecável.
Pessoas com tamanho talento para restauração eram extremamente raras.
Clarice ergueu o olhar, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Erasmo, obrigada.
Erasmo sorriu e, com um gesto suave, envolveu os ombros de Clarice, puxando-a para descansar em seu peito.
— Não precisa me agradecer. Mas pare de chorar, ou meu coração não vai aguentar.
Sua mão grande e acolhedora limpou delicadamente as lágrimas do rosto dela.
A voz profunda e agradável carregava uma doçura que tocou o fundo da alma de Clarice.
O coração de Clarice estremeceu levemente, e ela engoliu as lágrimas à força. A mão de Erasmo parecia ter uma magia própria; seu calor intenso aquecia-lhe o peito.
Ela tentou se afastar instintivamente, percebendo de repente que os dois estavam próximos demais.
Erasmo soltou-a no mesmo instante, mas Adelina, sem querer, esbarrou em Clarice, empurrando-a de volta para os braços dele.
O impacto de Adelina não foi fraco; a colisão foi firme e direta.
Erasmo olhou para Adelina com evidente desagrado.
— Tenha mais cuidado. Você é sempre tão desastrada.
Adelina mostrou a língua em tom de brincadeira e virou-se para Clarice.
— Clarice, vamos jogar alguma coisa!
A atenção de Clarice foi desviada.
— Claro, o que vamos jogar?
Adelina deu uma olhada em todos na mesa.
— Cartas. Quem ganhar tem o direito de fazer uma pergunta para quem perder.
— Por mim, tudo bem.
Adelina acenou para chamar o garçom, e os cinco iniciaram a partida de baralho.
As regras eram simples: cada um jogava por si, e quem sobrasse por último perdia.
Na primeira rodada, Renata perdeu e Adelina foi a vencedora.
— A pessoa que você gosta, também gosta de você?
— Não.
A resposta de Renata foi direta e sem hesitação. Clarice olhou para ela, surpresa ao descobrir que Renata tinha sentimentos por alguém, ainda mais um amor não correspondido.
Na segunda rodada, Adelina ganhou novamente, e desta vez o perdedor foi Leandro Neves.
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