"Érick"
A mansão parecia quieta demais quando eu estacionei, silenciosa, quase como se estivesse vazia, um contraste enorme com o fim de tarde anterior com a Alice, a Lorena e eu jogando futebol no jardim do fundo. As risadinhas da minha filha ecoaram em minha mentem especialmente daquele momento em que ela e a Lorena se juntaram para ganhar de mim e caímos os três rindo no gramado.
Aquela lembrança agradável, familiar e feliz, era um contraste violento com o turbilhão que eu acabava de trazer do escritório. O Julian e o Andrey desceram logo atrás, o clima de piadas da manhã dissipado. Agora, nós precisávamos proteger o nosso território e tornar o conselho inofensivo.
Assim que eu passei pela porta, eu vi a Lorena no topo da escada com um cesto grande de roupas nas mãos. Ela usava um dos vestidos que a minha mãe trouxe, uma peça em tom pérola que flutuava em suas pernas e a deixava parecendo uma miragem. Eu me sentia como se realmente estivesse olhando para uma fada. O olhar dela, porém, captou imediatamente a tensão nos meus ombros.
- Érick? Aconteceu alguma coisa? Você disse que ficaria o dia todo na empresa. - Ela desceu os degraus, a preocupação vincando sua testa.
Eu caminhei até ela enquanto ela entregava o cesto para uma funcionária e, sem me importar com a presença dos meus amigos no hall, eu a segurei pela cintura e a beijei. Um beijo de quem marca posse e busca direção ao mesmo tempo.
- Nada demais, minha Fada. É só o mundo lá fora que resolveu bater à nossa porta. - Eu sussurrei contra seus lábios. - Parece que eles esqueceram quem é o dono da porra toda e resolveram me desafiar.
- O que houve? - Ela me observou, parecendo alarmada. - O Ma... - Ela se interrompeu quando um vulto se moveu lateralmente a nós.
Eu olhei para o lado. A Adelaide estava pairando em volta. A Lorena não confiava nela, mesmo que eu tivesse garantido que a Adelaide era fiel como um cão de guarda. Eu me virei para o Julian e o Andrey.
- Escritório. Agora. Adelaide, traga café. - Eu olhei outra vez para a Lorena, que ainda parecia confusa e com algo importante a dizer. - Vem com a gente, Fada.
- E então, Lolô, nós não vamos ganhar beijinhos mágicos calmantes? - O Andrey brincou enquanto caminhávamos em direção ao escritório e eu grunhi, pronto para me virar e ensinar a ele a ficar longe da minha mulher, mas ela foi mais rápida.
- Meus beijinhos mágicos são apenas para os Albelini, Andrey. O máximo de mágica que eu posso fazer por você e uma bela maquiagem. - Ela sorriu e piscou para mim, com um charme deliciosamente provocante.
- Gostei! - Eu respondi satisfeito.
- Eu continuo achando, Lolô, que você poderia nos apresentar as suas amigas. Vai, eu agora sou seu amigo também. - O Julian pediu.
- Juju, você não é o tipo das minhas amigas. - A Lorena sorriu enquanto eu abria a porta do escritório para ela passar.
- O quê? Elas não gostam de um cara bonitão, carismático e bem sucedido? - O Julian perguntou intrigado.
- Muito bem, chega de palhaçada, e parem de chamar a minha Fada de Lolô. - Eu bati a porta do escritório e eles me olharam com os olhos arregalados.
- Ah, é, desculpa, Albelini! - O Julian falou sério e passou o braço sobre os ombros da Lorena. - Então, Fada, como faço para conhecer uma das suas amigas.

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