"Lorena"
Eu pensei que o Barão fosse guardar o segredo da Scarlat, afinal eu o ameacei com o Érick e a polícia, mas eu não pensei que ele tinha ficada assim tão preocupado a ponto de fazer essa proteção tão veemente da Scarlat.
Ele sempre foi um homem de negócios, focado no lucro. O comportamento normal dele seria me pressionar a voltar, ainda que sutilmente, poios eu dava lucro para a boate. Mas eu não esperava que ele quisesse apagar a minha existência. Aquilo me preocupou profundamente porque eu só encontrava uma resposta: havia uma ameaça muito próxima, algo grande o suficiente para deixar até o Barão acuado.
E quando eu perguntei para a Marcelina se o Barão não tinha dito nada, uma explicação ou informação. Ela balançou a cabeça em negativa.
- Ele só me avisou que se as coisas complicarem eu perco o meu emprego, porque eu sou a única coisa que liga a boate a você e ele não vai se ferrar por nossa causa. Ele estava furioso. - A Marcelina me encarou preocupada. - Eu estou procurando outro emprego, Lô. Ficar na boate não parece seguro, se até o Barão está preocupado...
- Que estranho! - Eu comentei, sentindo um calafrio.
- É bizarro, Lô. Parece que ele está escondendo um cadáver. Mas enfim... esquece isso por hoje. Vai dar tudo certo. - Ela sorriu, sempre cheia de idéias positivas.
- Eu compliquei a sua vida, não é, Lina? - Eu a puxei para um abraço. - Olha, sai da boate. Eu tenho um dinheiro, não é muito, mas as minhas dívidas foram misteriosamente pagas por uma tal instituição que apóia mulheres...
- O Mariano me contou, ele está preocupado com isso. Ele desconfia quando não sabe de onde vem uma gentileza. Ele está tentando descobrir alguma coisa, mas não está dando em nada. - Ela se afastou e me encarou. - Mas não se preocupa, Lô. Eu tenho como me virar. Se eu precisar eu te aviso.
- Lina, sai da boate. Eu dou um jeito de te ajudar. - Eu insisti, mas ela apenas sorriu.
- É, acho que é melhor eu sair. Hoje eu vou e pego as minhas coisas. Acho que o Barão vai respirar aliviado. - Ela concordou. - Mas e aí? Como estão as coisas com o Albelini? Ele tá te tratando bem?
- Ele me ama, Lina. De verdade. Ele se declarou e... - Eu senti meus olhos marejarem por um segundo. - Ah, eu te contei pelo telefone. E é por isso que eu preciso enterrar esse passado de uma vez por todas, porque se isso vier à tona, eu acabo com a vida dele. Droga... até você já está se prejudicando por causa desse segredo.
- Lô, relaxa! Você está linda, sabe se comportar, e sabe exatamente como encontrar o ponto fraco dos outros, era assim que a Scarlat deixava os homens de joelhos na boate, encontrava a fraqueza deles. Seja meio Scarlat com essas que estão tentando te prejudicar.
Eu pensei sobre o que a Marcelina tinha acabado de falar. As idéias dela eram sempre arriscadas, mas acabavam funcionando e, talvez, ser meio Scarlat não era uma idéia ruim. Todo mundo tinha uma fraqueza, eu só precisava descobrir qual era a fraqueza do meu oponente.
- Lina, essa sua cabecinha tem sempre as melhores ideias! - Eu dei um beijo na testa dela, que riu.
- Seja má com eles! - Ela falou séria, com o dedo em riste. - e se precisar me chama. Mas não se preocupe, vai dar tudo certo, além do mais, o seu boy de terno lá fora está prontinho para te ajudar a vencer esses inimigos.
- Ele não é o meu boy, Lina. Acho que ele quer ser o seu boy! - Eu ri fraco, puxando o ar para os pulmões e tentando fingir um controle que eu não tinha. - Ele é o braço direito do meu boy. E ele é inteligente e esperto. Vamos voltar antes que ele venha nos buscar.

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